Brindando a chegada de 2012

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Olá amigos, hoje o Hipofeu Blog é diferente. Basta ver o video abaixo. Um grande abraço e Feliz 2012!

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O fim do R.E.M. e a ocupação de Wall Street.

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2011 provavelmente será lembrado como o ano das ocupações. Praças de diversas partes do mundo foram tomadas. Tivemos a chamada primavera árabe, trazendo sonhos de libertação e democracia. E tivemos a mais famosa das manifestações espontâneas impulsionadas pelas redes sociais. Occupy Wall Street influenciou milhares de pessoas em muitos países a botarem o pé na rua em marchas por avenidas e praças em defesa de causas diversas. Sem líderes, sem mártires, sem partidos, corporações… Simplesmente a massa humana, o coletivo. Mais do que um movimento, um desabafo mundial.

Depois de ler o título do post, você deve estar se perguntando: o que o fim do R.E.M. tem a ver com isso? Acontece que, 2011 pra muita gente também será lembrado como ano do fim da banda. Michael Stipe e Cia., sempre foram uma banda politizada. Sem ser messiânica, atenta aos problemas do mundo. Descobri a banda um pouco tarde, ou seja, quando “Document” chegou ao mundo, a banda já tinha quatro discos lançados. Mas, desde então era perceptível para mim o viés engajado do grupo em canções como “Finest Worksong”.

Não sei o motivo, mas durante toda essa semana uma música do R.E.M. não me saiu da cabeça, só depois é que fui associá-la às ocupações em Nova York, Londres, Atenas, Cairo, Lisboa, etc. Talvez pela ironia da letra e pelos vocais melancólicos, pela melodia, que não chega a ser um “hino” para multidões, mas com uma carga dramática que faz tanto sentido hoje quanto fazia em 1988. “World Leader Pretend” nem é o hit de “Green”, até por que é difícil se destacar num disco que tem “Stand”, “Orange Crush”, “Turn You Inside-Out”, “Pop Song 89” e “Get Up”.

Veja o vídeo de “World Leader Pretend” ao vivo na turnê de “Green”

 

 

Uma voz para a multidão.

 

Michael Stipe e seu megafone durante a turnê de "Green" em 1988

 

Green”, o primeiro disco do então quarteto de Athens pela Warner, trouxe para muitos adolescentes (como eu em 88) a novidade em forma de música inteligente, e mostrou que sim, era possível ser uma banda independente e obter sucesso, e até mesmo mudar para uma grande gravadora e continuar fiel aos seus princípios e à sua música.

Talvez você até tenha outra canção do R.E.M. como preferida, e talvez ela até esteja em “Green”, porém, é indiscutível a beleza da faixa, e como ela ainda soa atual. A banda pode ter acabado, mas como falei a alguns amigos quando Amy Winehouse morreu (outro fato que marcará 2011): felizmente a música é eterna.

Provavelmente, de agora em diante seja mais comum ver os rapazes envolvidos de forma mais aberta com algumas causas, como já demonstra o baixista Mike Mills, em declarações de apoio a adivinhe… Occupy Wall Street. (veja aqui – em inglês)

2011 também será lembrado pelo triste aniversário de dez anos do atentado de 11 de setembro, assim como ontem mais uma vez foi sentida a ausência de George Harrison.

Termino então, sintetizando a liberdade de expressão, o povo nas ruas, sonhos de justiça e harmonia em busca de mudanças inspirado pelo título de outra música do R.E.M.: “Welcome To The Occupation”.

E se você quiser, deixe aqui seu recado dizendo qual a sua música favorita do R.E.M. e por que ela marca a sua vida. Comente, Compartilhe. Participe.

Um grande abraço e até breve.

A desinibida da Consolação

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Olá amigos. Resolvi quebrar a regra que eu mesmo criei – publicar apenas um post semanal (sempre às quartas-feiras) – como agradecimento aos mais de 2.500 (!) pageviews do blog em pouco mais de um mês de sua existência.

Por esta razão então segue este texto dominical, diferente de tudo que já escrevi aqui. Peço licença ao mestre Xico Sá para falar das agruras do bicho homem com os assuntos do coração. Vou falar mais precisamente do patológico ciúme fraternal.

Durante essa semana, ri um pouco e acompanhei a dor de um conhecido com as andanças amorosas de sua irmãzinha. O cidadão andava indignado e da Pompéia à Consolação era uma lamentação sem fim. Sentia a dor do traído e desiludido. O ciúme (assim como o chifre) corrói e derrota o mais bruto dos machos, por que afinal, os brutos também amam.

Mugia o personagem irmão-boi, quando descobriu que sua doce e amada irmã mais nova, andava passeando com alguns rapazes, e até alguns amigos seus (bando de traíras, dizia) e sentia a úlcera do ciúme doer só de imaginar o que a pequena poderia estar aprontando nas baladas da Barra Funda, Augusta ou Santa Cecília.

Dominique Swain, em cena do filme "Lolita" (1997) de Adrian Lyne.

Pensei com os botões imaginários… A grande questão camarada, é que a educação machista alimenta no indivíduo a fantasia de que suas mães e irmãs não são mulheres como as outras. No imaginário do elemento, elas são santas, eternamente puras, virgens e imaculadas.

Esquece o amigo, que pra ele estar no mundo sofrendo e amando, um belo dia seu papai (ou o leiteiro, o carteiro, etc., bem, melhor não entrar nessa seara, pra não deixar o sujeito mais bravo) chegou junto na sua santa mãezinha!

O que sua querida irmãzinha provavelmente anda fazendo com os meninos, é o mesmo que você vive fantasiando e tramando fazer com as irmãzinhas alheias. Mas pimenta no dos outros…

Seja ela uma Lolita digna de Nabokov ou não, mais cedo ou mais tarde, como toda mulher (que goste de homens ou de mulheres, ou até dos dois), a pequena sentiria a vontade de ser amada como fêmea, e com certeza despertaria nos marmanjos o desejo de conhecer o novo pitéu do pedaço. Nada mais humano. Qual então a razão para negar a ela o prazer? Relegar a menina a ser um vegetal, e passar vida sem saber o que é uma noitada (como diria Marcelo Rubens Paiva em seu livro “As Fêmeas“)? Acorde você, camarada! Viva, seja feliz e deixe que a menina também seja e apaixone-se, chore, sofra, deleite-se, sinta todas as emoções que a independência sexual proporciona. Deixe-a ser mulher.

Não esqueça que para aquele cunhado mala, que bebe a sua cerveja gelada na tarde de domingo paulistana, e ainda por cima, torcendo para o time adversário, que se hoje o dito cujo pode divertir-se com os sobrinhos, esticado na poltrona da sua casa, foi graças à sua “petulância” e cara de pau de chegar pra irmã dele e dizer: Yes, We Créu!

Um grande abraço e até quarta-feira!

Um alienígena chato.

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Olá amigos. Alguns perguntaram, e vou responder aqui. Não vou falar sobre a USP. Tudo que eu gostaria de dizer sobre os fatos da semana passada, já foi dito pelo André Barcinski e pelo André Forastieri . Assino embaixo de tudo que os dois escreveram.

Então, como prometido hoje vou falar de música. Imaginava que assim teria uma trégua para falar de assuntos mais amenos. Enganei-me duas vezes. Primeiro porque o disco sobre o qual vou falar está gerando muita polêmica, e segundo, porque não é um disco alegre.

A capa do álbum, lançado em 27 de setembro

Estou falando, claro, de “Lulu” álbum em parceria entre Lou Reed e Metallica, que está dando o que falar e principalmente o que reclamar. A ira dos fãs do Metallica (alguns bobos que até ameaçaram matar Lou Reed) talvez esteja no fato de seus heróis estarem fazendo música com um “velho”, pouco afeito ao bate cabeça característico do público de metal que ainda tem 20 anos, ou acha que tem. A verdade, é que a banda é feita de homens maduros e quarentões, ou seja, Lulu é um disco sério, adulto, feito por homens adultos e para adultos, e não para reais ou pretensos adolescentes dispostos a extravasar energia.

Trata-se de uma coleção de canções para uma peça chamada “Lulu”, uma produção teatral de várias histórias originalmente escrita pelo dramaturgo alemão Frank Wedekind.

Após ouvir pacientemente o disco várias vezes, cheguei à conclusão de que “Lulu” vale apenas pelas faixas “The View”, “Pumping Blood” e “Mistress Dread“, além claro, da bela capa. Acredito que Lou Reed teria acertado na mosca e teria uma banda mais sintonizada com sua música se tivesse escolhido o Sonic Youth ou o Jesus and Mary Chain para co-assinar o projeto. Se queria causar polêmica e inovar, melhor seria chamar Lady Gaga, que de quebra, ainda poderia interpretar a personagem título. Se, desejava contar a história, seria o caso então de fazer um filme, com direção de Tim Burton, por exemplo, para casar com a aura sombria das canções, e o próprio Lou faria a trilha sonora, sozinho mesmo.

Lou Reed e Metallica em foto de divulgação de "Lulu"

Lou Reed é um dos ícones do rock dos anos 60. Em 1964, fundou o Velvet Underground, grupo de Nova York que, com seu cinismo e som cru, destoava do espírito paz e amor da geração hippie. Saiu em carreira solo em 1970 e lançou discos clássicos como “Transformer” e “Berlin“. Em novembro do ano passado o cantor passou pelo Brasil com a turnê de 35 anos de seu disco “Metal Machine Music“.

Enfim, quem caiu de pára-quedas nessa história foi o Metallica. Como todo respeito à banda (que merece), o quarteto é previsível e burocrático, para dizer o mínimo. Apenas uma banda de apoio.

As faixas são longas, uma delas chega a durar quase vinte minutos, nada que os fãs do Metallica não estejam acostumados, principalmente desde “…And Justice For All…”, porém, guardam semelhança maior com o trabalho de Lou, apesar de que na discografia do músico de Nova York, o álbum  será um perfeito alienígena.

Resumindo. Não gostei. Pode ser que um dia mude de opinião, mas isso raramente acontece. Posso às vezes demorar a me acostumar com um disco. Mas em outros casos (e “Lulu” se encaixa nessa categoria), a primeira impressão é a que fica mesmo. E na minha opinião o disco é ruim, mais pelo Metallica do que por Lou Reed. Ouça você e tire suas conclusões. Um grande abraço e até a a próxima semana.

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