O homem e o mundo em contraluz

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Garimpo de Serra Pelada

Olá amigos. A maioria de vocês que me acompanha aqui não sabe, mas o Hipofeu, já foi um fanzine, coisa lá pelos idos do final dos anos 90. Uma invenção dos amigos Roberto Bessa e Wagner Dutra, que me convidaram pra participar também. Não durou muito, mas a idéia continuou viva por todos esses anos, até que eu comecei este blog.

O post de hoje tem exatamente o mesmo tema sobre o qual escrevi na edição impressa (o fanzine) em 199… e alguma coisa, sendo então uma volta às origens. Lembrando que desde o início, em outubro passado, deixei claro que este espaço estaria aberto principalmente para as artes do que para qualquer outro tema. Como já falei bastante de música, natural que agora uma das minhas paixões, a fotografia, permita-me falar de um dos meus heróis.

Sebastião Salgado é mais que um brasileiro reconhecido e bem sucedido no exterior. Um fotojornalista? Sim, mas também um artista, pois o olhar de Tião, como é chamado pelos amigos mais próximos, consegue captar imagens que quando reveladas parecem saltar vivas do papel ou da tela. Retratam pessoas paradoxalmente frágeis e fortes.

Sebastião Salgado

Dono de estilo inconfundível, fotografando sempre em preto e branco, com câmeras Leica, em contraluz, e quase sempre somente pessoas, Salgado embrenha-se nos lugares mais remotos do planeta, geralmente onde a alta tecnologia e a globalização ainda não afetaram rotinas e hábitos de povos com características e problemas distintos.

Sebastião Salgado nasceu no dia 8 de fevereiro de 1944 em Aimorés, Minas Gerais. Vive em Paris. Economista de formação, começou sua carreira de fotógrafo em Paris em 1973. Trabalhou sucessivamente com as agências Sygma, Gamma e Magnum Photos até 1994 quando, junto com Lélia Wanick Salgado fundou a agência de imprensa fotográfica, Amazonas images, exclusivamente devotada à seu trabalho.

Viajou em mais de 100 países para projetos fotográficos que, além de inúmeras publicações na imprensa, foram apresentados em forma de livros, tais como: Outras Américas (1986), Sahel, l’Homme en détresse (1986), Trabalhadores (1993), Terra (1997), Êxodos e Retratos de Crianças do Êxodo (2000) e Africa (2007). Exposições itinerantes destes trabalhos foram e continuam a serem apresentadas internacionalmente.

Foto do Livro "África"

Sebastião Salgado recebeu inúmeros prêmios, é Embaixador de Boa-Vontade para UNICEF e é membro honorário da Academy of Arts and Science dos Estados Unidos. Em 2004, começou um novo projeto, Gênesis, série de fotografias de paisagens, da fauna, da flora e de comunidades humanas vivendo exclusivamente dentro de suas tradições e culturas ancestrais. Este trabalho é concebido como uma pesquisa sobre a natureza ainda em seu estado original e tem previsão de conclusão para 2012.

Foto do Livro "Trabalhadores"

Este texto não é uma análise do trabalho já reconhecido e premiado em diversos países e publicado em livros de sucesso, além dos principais jornais e revistas do planeta. Na verdade, é uma homenagem ao cidadão que muito me ensinou com imagens que registram almas e me fez amar a fotografia como talvez eu ame somente a música dentre todas as artes. Aprecie as imagens que estão aqui no blog, elas dizem muito mais do que eu possa escrever. Ou se preferir vá direto á fonte, no site da Amazonas Images.

Veja o video de entrevista com Sebastião Salgado para o Jornal da Globo para o Lançamento do Livro “África”

Não deixe de comentar e compartilhar. Participe.

Dezembro está apenas começando e promete muitas surpresas aqui no Hipofeu Blog. Um grande abraço e até breve.

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O fim do R.E.M. e a ocupação de Wall Street.

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2011 provavelmente será lembrado como o ano das ocupações. Praças de diversas partes do mundo foram tomadas. Tivemos a chamada primavera árabe, trazendo sonhos de libertação e democracia. E tivemos a mais famosa das manifestações espontâneas impulsionadas pelas redes sociais. Occupy Wall Street influenciou milhares de pessoas em muitos países a botarem o pé na rua em marchas por avenidas e praças em defesa de causas diversas. Sem líderes, sem mártires, sem partidos, corporações… Simplesmente a massa humana, o coletivo. Mais do que um movimento, um desabafo mundial.

Depois de ler o título do post, você deve estar se perguntando: o que o fim do R.E.M. tem a ver com isso? Acontece que, 2011 pra muita gente também será lembrado como ano do fim da banda. Michael Stipe e Cia., sempre foram uma banda politizada. Sem ser messiânica, atenta aos problemas do mundo. Descobri a banda um pouco tarde, ou seja, quando “Document” chegou ao mundo, a banda já tinha quatro discos lançados. Mas, desde então era perceptível para mim o viés engajado do grupo em canções como “Finest Worksong”.

Não sei o motivo, mas durante toda essa semana uma música do R.E.M. não me saiu da cabeça, só depois é que fui associá-la às ocupações em Nova York, Londres, Atenas, Cairo, Lisboa, etc. Talvez pela ironia da letra e pelos vocais melancólicos, pela melodia, que não chega a ser um “hino” para multidões, mas com uma carga dramática que faz tanto sentido hoje quanto fazia em 1988. “World Leader Pretend” nem é o hit de “Green”, até por que é difícil se destacar num disco que tem “Stand”, “Orange Crush”, “Turn You Inside-Out”, “Pop Song 89” e “Get Up”.

Veja o vídeo de “World Leader Pretend” ao vivo na turnê de “Green”

 

 

Uma voz para a multidão.

 

Michael Stipe e seu megafone durante a turnê de "Green" em 1988

 

Green”, o primeiro disco do então quarteto de Athens pela Warner, trouxe para muitos adolescentes (como eu em 88) a novidade em forma de música inteligente, e mostrou que sim, era possível ser uma banda independente e obter sucesso, e até mesmo mudar para uma grande gravadora e continuar fiel aos seus princípios e à sua música.

Talvez você até tenha outra canção do R.E.M. como preferida, e talvez ela até esteja em “Green”, porém, é indiscutível a beleza da faixa, e como ela ainda soa atual. A banda pode ter acabado, mas como falei a alguns amigos quando Amy Winehouse morreu (outro fato que marcará 2011): felizmente a música é eterna.

Provavelmente, de agora em diante seja mais comum ver os rapazes envolvidos de forma mais aberta com algumas causas, como já demonstra o baixista Mike Mills, em declarações de apoio a adivinhe… Occupy Wall Street. (veja aqui – em inglês)

2011 também será lembrado pelo triste aniversário de dez anos do atentado de 11 de setembro, assim como ontem mais uma vez foi sentida a ausência de George Harrison.

Termino então, sintetizando a liberdade de expressão, o povo nas ruas, sonhos de justiça e harmonia em busca de mudanças inspirado pelo título de outra música do R.E.M.: “Welcome To The Occupation”.

E se você quiser, deixe aqui seu recado dizendo qual a sua música favorita do R.E.M. e por que ela marca a sua vida. Comente, Compartilhe. Participe.

Um grande abraço e até breve.

Quem é o cantor?

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Olá amigos. Hoje chegamos ao nosso quarto post, praticamente um mês de Blog. A todos que visitam, divulgam e compartilham nas redes sociais. Muito obrigado.

Vamos ao que interessa. Hoje vou falar de alguns fenômenos eleitorais. Prometo que na próxima semana volto a falar de música.

Nos últimos anos, a cada eleição aumenta o número de famosos ou aspirantes aos seus 15 minutos de fama surgem como candidatos a cargos eletivos. É claro que não é só aqui do lado debaixo do Equador que acontecem coisas esquisitas, mas é certo que o Brasil é pródigo nesse quesito. Tanto é que parece que seremos eternamente considerados “exóticos” aos olhos do velho mundo.

O fato é que por conta de alguns fenômenos de popularidade, estamos nos acostumando a ver e ouvir algumas figuras que nunca havíamos imaginado antes, serem tratadas por Vossa Excelência. Exemplos: Frank Aguiar, Clodovil, Aguinaldo Timóteo e claro, Tiririca, melhor dizendo, o Deputado Federal Francisco Everardo Oliveira Silva, que agora inclusive vai integrar a Comissão de Educação e Cultura na Câmara do Deputados. Os assessores do humorista e Deputado estão pesquisando e recebendo sugestões sobre as demandas do setor cultural. A ideia é preparar projetos que fortaleçam a área.

Somos um povo culturalmente diverso, mas algumas vezes bisonho. Gosto é como… Você sabe. Cada um com o seu. Não vou aqui cair na armadilha de julgar esse ou aquele gênero da música ou qualquer outra arte. Afinal, é arte. Política então nem se fala…

O dito voto de protesto das massas acaba gerando a eleição de algumas figuras que levam pelo menos uma “vantagem” sobre os políticos profissionais. Uma enorme sinceridade, como a de Tiririca, ao dizer que não sabe o que faz um Deputado, em entrevista que concedeu ao jornal Folha de São Paulo, ou mais recentemente no programa CQC, ao ser questionado se a política dá um bom dinheiro, afirmou: “Olha, dinheiro mesmo eu ganho com show, mas se não desse, meu filho Tirulipa não seria candidato”.

Tiririca durante a campanha elitoral de 2010

Tiririca e a tietagem dos colegas na Câmara dos Deputados


É claro que você não vai escolher o seu representante em Brasília somente pela sinceridade. Existem inúmeros outros atributos e questões a serem analisados friamente e por mais que você dê de ombros para a política, quero apenas lembrá-lo que estamos falando do seu dinheiro. É o seu imposto que paga o salário dos parlamentares, que nada mais são do que servidores públicos, ou seja, têm como função primordial atender às necessidades da população.

Confesso que me surpreendi com a maturidade e franqueza de algumas respostas do Deputado Tiririca quando o mesmo afirma que “o parlamentar, é um sujeito que trabalha muito e pouco produz”, confirma o óbvio ululante, que como sempre está na cara de todos, mas muitos insistem em não vê-lo.

Honestamente, prefiro algumas gratas surpresas na atuação de alguns famosos, porém politicamente inexperientes como Romário, Jean Wyllys e Tiririca a gente da laia de Maluf, Sarney, José Agripino Maia e Álvaro Dias, mas este último é problema do Paraná, pois pra quem não sabe, Senadores representam os Estados. Os Deputados é que representam o povo.

Não sei se tu me ama. Pra que tu me seduz?

Tiririca é o retrato da população carente que cresceu ao longo de décadas sendo massacrada por políticas públicas (ou ausência delas, melhor dizendo) que passaram bem longe de priorizar cultura e educação, saneamento básico então, é de envergonhar qualquer ser humano, em um país que está prestes a se tornar a sexta economia mundial.

Tivemos o “emburrecimento” programado da ditadura militar, afinal, não podemos esquecer que o ditador João Baptista Figueiredo certa vez disse que preferia o cheiro de cavalos ao cheiro do povo. Pensando bem, melhor nem perder tempo com essa figura, já que o mesmo pediu para ser esquecido. A galopante inflação durante os anos 80 e 90 também foi desculpa para a falta de investimentos no Social, sem falar do eterno rombo da previdência.

Romário discursa na tribuna da Câmara.


Romário por sua vez, também tem origem humilde, também teve uma carreira de sucesso e tem apresentado combatividade, interesse e conhecimento das causas que abraça. Sua atuação questionando a gestão, o cronograma e outros assuntos ligados à Copa 2014 e as Olimpíadas 2016 dão uma mostra de alguém que pode até não conseguir seus objetivos, mas luta sem medo de desagradar a quem quer seja.

Jean Wyllys surgiu como ex-BBB  para destacar-se ao defender o que para alguns são apenas as causas das ditas minorias excluídas, quando na verdade defende os direitos e garantias fundamentais de todo e qualquer cidadão, independente da cor ou opção sexual, mas disso já falei semana passada. Em resumo, é alguém que contribui de verdade para a discussão de temas que interessam e influem diretamente na vida da população.

Os três citados, não perdem tempo com intermináveis futricas e jogos políticos de oligarquias que se eternizam no poder, ou em demagógicas CPI’s para os que buscam os holofotes. Até por que, fama eles já tem.

O ex-BBB Jean Wyllys defende causas polêmicas em Brasília

É claro que há os que destoam e decepcionam. O cantor e Vereador Aguinaldo Timóteo (sim, ele é vereador aqui em São Paulo), em 2009, teve a brilhante idéia de mudar o nome do Parque do Ibirapuera, um dos cartões postais mais conhecidos de São Paulo, para Parque Michael Jackson. É rir pra não chorar. Ainda bem que não deixaram.

O poder da televisão.

Campanha eleitoral é um negócio sério e complicado e que segundo alguns colegas Publicitários, é nessa hora que a TV mostra todo seu poder como mídia de massa. Em 2012, deveremos eleger prefeitos e vereadores, e com certeza seremos apresentados a candidatos como os que você vê nos vídeos a seguir. Muito cuidado com os famosos, mas também com os políticos profissionais que vivem da sede de poder e da continuidade da miséria alheia. Veja, reflita e não deixe de participar. Comente, indique, compartilhe.

Até a próxima semana.

 

 

Pereio subway sound service

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Olá, pessoas. Quero primeiro agradecer a todos que visitaram, divulgaram  e comentaram na semana passada, e também aos que colaboraram para que este blog passasse a existir. Nada disso seria possível sem a imensa força de todos os meus amigos, especialmente Leo e Cabeçudo. Muito obrigado.

Hoje vou falar de transporte coletivo e mais especificamente do Metrô de São Paulo. O que você tem a ver com isso? Caso more aqui na paulicéia, tudo. Se não mora, deve saber que existem projetos desse tipo de transporte para várias cidades do Brasil sendo anunciados como a salvação de todos os problemas da humanidade. Em vez de solução pode ser apenas um paliativo, caso não seja bem planejado, implantado e racionalmente utilizado. Isso quando as obras são concluídas…

O paulistano encara todos os dias multidões, em todos os lugares, para onde quer que você vá, encontrará muita gente. É difícil estar só. Complicado também é estar acompanhado, mas de maneira confortável. Conforto, isso é o que mais falta ao cidadão principalmente na hora de ir para o trabalho ou voltar do mesmo.

Cena comum de superlotação nas estações

Sempre defendi com unhas e dentes o uso do transporte público. Quer um motivo? Nossa frota de carros já é maior que a população do Rio de Janeiro. Basta pra você? Como nossa população também não é pequena. Temos muito a melhorar em quantidade e qualidade, no que é oferecido atualmente. O nosso querido metrô possui 74,3 km de extensão, contra 226 km de Madrid, 418 km de Nova York e Londres com 400 km, para não falar de Xangai com a maior malha do mundo, com seus 420 km de extensão. Para entender melhor do que estou falando veja as imagens:

Mapa do Transporte Metropolitano de São Paulo (inclui CPTM e EMTU)

Mapa do Metrô de Londres

Agora, vou contar uma historinha.

Dia desses estava eu a bordo de um dos trens e na estação Brigadeiro (Linha 2 – Verde), um sujeito “entra”, fica segurando a porta ostensivamente com uma mão e com a outra gesticula chamando outras pessoas: “Vem! Corre, dá tempo!”. Os passageiros (eu, inclusive) que estavam no vagão lançaram olhares desaprovadores para o sujeito, que não deu bola para a velada censura. No exato instante em que as portas se fecharam, o condutor do trem bradou no som: “Não segure as portas! Você atrapalha a vida dos outros!”. Só nesse momento, o cidadão ficou constrangido, decerto, não sabia ele que nos novos trens, existem câmeras em todos os carros da composição. O funcionário do metrô, na minha opinião, merecia aplausos.

A verdade é dura amigos, mas precisa ser dita. Se o serviço não é perfeito, o usuário do sistema também não colabora muito. Não concorda? Ok, então você gosta dos caras que são verdadeiras rádios ambulantes dentro de vagões e veículos em qualquer região da cidade? Também não. Tudo bem, o ser humano é complicado mesmo. Funciona mais ou menos assim: é feio e chato, quando é o outro, ou melhor, se sou favorecido os demais que se danem.

Seria ótimo então se quando o cara segurasse a porta, a voz do Paulo César Pereio soasse no sistema de som: “Solta a porta e segura na minha vara porra!”, e também, “Desliga essa merda de som, porra!”, ou ainda, “Tira o rabo do assento azul, é privativo do idoso, porra!”. Talvez com essa linguagem, coloquial, digamos assim, os caras tomem um pouquinho de semancol.

Lanço desde já a campanha “Pereio subway sound service”!

Para quem não sabe, sempre que um trem do metrô parte atrasado, gera-se um efeito dominó que reflete em todas as linhas afetando a vida de no mínimo quatro milhões de pessoas. E geralmente, tais atrasos, ocorrem por causa de pessoas que não sabem esperar mais dois minutos (o tempo exato para que outra composição chegue à plataforma).

Multidão. Cena comum na estação Sé

É claro que o transporte coletivo de São Paulo está saturado, e como o de outras capitais e grandes cidades do Brasil, precisa melhorar muito. SPTrans, CPTM e Metrô, poderiam ter uma melhor integração e tarifa única, não é senhores Kassab e Alckmin? Afinal, como diria o outro, nunca antes na história deste país, sobrou tanto dinheiro para realizar o essencial, faltam vontade política e competência, então? Copa e Olimpíadas não servem como desculpas para obras de infraestrutura, pois mesmo sem os dois eventos, o povo precisa de qualidade de vida, o que inclui transporte digno.

Há falhas no sistema também. Algumas semanas atrás, a badalada e moderna Linha 4 – Amarela, a primeira administrada pela iniciativa privada, teve uma pane que deixou boa parte da população desacreditada no serviço. Naqueles dias, as estações Luz e República tinham sido enfim inseridas à nova linha, permitindo a integração com as Linhas 1 – Azul e 3 – Vermelha. A tal pane, gerou um transtorno óbvio que durou no mínimo quatro horas e prejudicou milhões de pessoas, significando também prejuízo para muitas empresas.

Plataforma de embarque em estação da Linha 4 - Amarela

E se você já usou a nova linha, reparou que faltam funcionários nas estações? Não se assuste, a ideia é essa mesmo, automatizar o sistema. Tanto que naquela via, não existem condutores, as máquinas andam “sozinhas”. A parceria público-privada não deveria gerar mais empregos? Gostaria então de lembrar aos gênios do governo Serra (afinal isso é herança dele) o artigo 7º da Constituição: “São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:” – Inciso XXVII, do mesmo artigo: “Proteção em face da automação, na forma da lei;”.

Falando em prejuízo, quero fazer aqui um adendo. A Linha Laranja, que está em fase de projeto, foi alvo recente de protestos por parte dos moradores de Higienópolis, contrários à construção de uma estação nas imediações de suas residências, alegando que o metrô traria pobres, ambulantes, etc. Perguntar não ofende: Queridos abastados, vocês não querem que os pobres cheguem aos seus trabalhos? Então por gentileza, permitam que tenham um deslocamento digno, ou podem vocês mesmos encarregaram-se das tarefas executadas por aqueles que encaram todos os dias, duas horas ou mais dentro de ônibus lotados para ganhar o pão. Quantos churrasquinhos ainda serão necessários para que mude a mentalidade dessa gente tacanha? O imposto pago pelo “nobre” vale tanto quanto o desembolsado pelo assalariado.

Claro que existem pontos positivos e iniciativas bacanas, como exposições (Estação Paraíso), apresentações musicais (Estação Tamanduateí), bibliotecas gratuitas (Estações Paraíso e Tatuapé). Já é possível transportar sua bicicleta nos finais de semana, foram instalados assentos especiais para obesos, e o deficiente visual pode embarcar com seu cão-guia. Em geral, a população tem orgulho do Metrô e até se diverte com algumas curiosidades, como por exemplo, por que razão a Estação Paulista (Linha 4 – Amarela) fica situada na Rua da Consolação e a Estação Consolação (Linha 2 – Verde) fica na Av. Paulista?

Mas, a CPTM precisa urgentemente melhorar muitas estações para oferecer o mínimo de conforto ao usuário, a SPTrans precisa agilizar a renovação da frota de ônibus, verdade, que já é bom sinal a aquisição de veículos movidos a Biodiesel.

Enfim, caro leitor, faça a sua parte. Use o transporte coletivo, cobre e faça valer os seus direitos, mas sem deixar de ser civilizado e respeitar o próximo. Todos ganham.

E se quiser opine, deixe seu comentário. Até breve.

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