Olá, amigos! Na segunda-feira, 12 de dezembro, comemoramos dois meses deste Hipofeu Blog. Agradeço imensamente aos mais de 5.000 pageviews registrados desde a estréia. É uma honra tê-los aqui acompanhando os meus textos. Muito obrigado.

No último final de semana, fiz uma viagem a São José do Rio Preto, interior de SP, para resgatar alguns objetos pessoais (quatro pesadas malas), principalmente meus livros, dos quais sentia muita falta. Ao organizar e embalar tudo, matei a saudade de muitos títulos pelos quais tenho um enorme carinho, e alguns que nem tive tempo de ler, ainda lacrados. Porém, fiquei feliz mesmo foi ao abrir uma caixa e me deparar com os livros de um dos meus autores favoritos, leitura que me acompanha desde a adolescência, companhia inseparável em muitas jornadas. Não resisti e coloquei um na mochila, prontinho para se relido com avidez na viagem de volta a São Paulo. É sobre a obra do autor de “A Grande Arte” (que reli mais uma vez na tal viagem) que falarei hoje. Claro, que estou falando de Rubem Fonseca.

Rara imagem do autor, extremamente reservado, avesso a entrevistas e fotos.

Descobri os contos e romances do escritor mineiro em meados de 1987, “perdido” em uma biblioteca, um tanto esquecido, estava um volume de “O Caso Morel” (1973), romance que mostra o embate de Paul Morel, um excêntrico artista de vanguarda, com o escritor Vilela. Morel está preso e é de sua cela que narra histórias que mesclam sexo, violência e reflexões sobre a arte, questionando a função da própria literatura. Amor à primeira leitura. Era aquilo que eu procurava em forma de literatura, por volta dos meus 13 anos de idade. Cansado da leitura obrigatória dos clássicos que a escola impunha, vivia em busca de algo novo, coloquial e contemporâneo. E aquele livro, lançado no mesmo ano em que nasci, continuava atual, até mais do que muitos brasileiros gostariam.

Se Nelson Rodrigues (outro dos meus favoritos) foi um mestre na arte de escrever e desvendar as relações familiares, desnudando padrões comportamentais e vícios de convivência que a sociedade insistia em manter dentro dos lares. Rubem Fonseca trouxe para as livrarias as histórias que as pessoas estavam acostumadas a acompanhar no noticiário policial com personagens tão reais quanto o sujeito do restaurante da esquina, com o mesmo vocabulário das ruas, direto e violento, uma espécie de “Baader-Meinhof Blues” com capa dura.

Na época, eu costumava gastar meus trocados com discos, mas quando, alguns anos depois li “A Grande Arte” (1983), Rubem Fonseca passou a figurar na galeria dos meus heróis, e minhas economias passaram a se transformar em contos e romances também. Toda vez que entro num sebo ou livraria, é certo que vou procurar pelos poucos livros do autor que ainda faltam na minha coleção.

Conheço gente que reclama que o grande público descobriu Rubem Fonseca depois de assistir à série “Agosto” da Rede Globo, baseada no romance homônimo de 1990.

 

 

Há também os que tiveram interesse em procurar os livros somente depois de conhecer “Mandrake” série da HBO dirigida por José Henrique Fonseca, filho de Rubem.

 

 

 

Não há nada de errado nisso. Nunca é tarde para mergulhar no universo marginal, áspero, mas divertido desse senhor vencedor de muitos prêmios literários, e que também já escreveu roteiros de muitos filmes. Um brinde à obra de Rubem Fonseca, para iniciar as celebrações deste final de ano e lembrar o conto que abre o sensacional (e censurado por muitos anos) “Feliz Ano Novo” (1975). Deixo então vocês com a lista das obras, pra quem ainda não conhece.

Não deixe de participar, comentar e compartilhar.

Um grande abraço e até breve.

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Rubem Fonseca – Obras

Romances

  • O Caso Morel (1973)
  • A Grande Arte (1983)
  • Buffo & Spallanzani (1986)
  • Vastas emoções e pensamentos imperfeitos (1988)
  • Agosto (1990)
  • O Selvagem da Ópera (1994)
  • O doente Molière (2000)
  • Diário de um fescenino (2003)
  • Mandrake, a bíblia e a bengala (2005)
  • O Seminarista (2009)
  • José (2011)

Contos

  • Os prisioneiros (1963)
  • A coleira do cão (1965)
  • Lúcia McCartney (1967)
  • Feliz Ano Novo (1975)
  • O Cobrador (1979)
  • Romance negro e outras histórias (1992)
  • O buraco na parede (1995)
  • Histórias de amor (1997)
  • A confraria dos espadas (1998)
  • Secreções, excreções e desatinos (2001)
  • Pequenas criaturas (2002)
  • 64 Contos de Rubem Fonseca (2004)
  • Ela e outras mulheres (2006)
  • Axilas e Outras Histórias Indecorosas (2011)

Outros

  • O homem de fevereiro ou março (antologia, 1973)
  • E do meio do mundo prostituto só amores guardei ao meu charuto (novela, 1997)
  • O romance morreu (crônicas, 2007)