Olá, pessoas. Quero primeiro agradecer a todos que visitaram, divulgaram  e comentaram na semana passada, e também aos que colaboraram para que este blog passasse a existir. Nada disso seria possível sem a imensa força de todos os meus amigos, especialmente Leo e Cabeçudo. Muito obrigado.

Hoje vou falar de transporte coletivo e mais especificamente do Metrô de São Paulo. O que você tem a ver com isso? Caso more aqui na paulicéia, tudo. Se não mora, deve saber que existem projetos desse tipo de transporte para várias cidades do Brasil sendo anunciados como a salvação de todos os problemas da humanidade. Em vez de solução pode ser apenas um paliativo, caso não seja bem planejado, implantado e racionalmente utilizado. Isso quando as obras são concluídas…

O paulistano encara todos os dias multidões, em todos os lugares, para onde quer que você vá, encontrará muita gente. É difícil estar só. Complicado também é estar acompanhado, mas de maneira confortável. Conforto, isso é o que mais falta ao cidadão principalmente na hora de ir para o trabalho ou voltar do mesmo.

Cena comum de superlotação nas estações

Sempre defendi com unhas e dentes o uso do transporte público. Quer um motivo? Nossa frota de carros já é maior que a população do Rio de Janeiro. Basta pra você? Como nossa população também não é pequena. Temos muito a melhorar em quantidade e qualidade, no que é oferecido atualmente. O nosso querido metrô possui 74,3 km de extensão, contra 226 km de Madrid, 418 km de Nova York e Londres com 400 km, para não falar de Xangai com a maior malha do mundo, com seus 420 km de extensão. Para entender melhor do que estou falando veja as imagens:

Mapa do Transporte Metropolitano de São Paulo (inclui CPTM e EMTU)

Mapa do Metrô de Londres

Agora, vou contar uma historinha.

Dia desses estava eu a bordo de um dos trens e na estação Brigadeiro (Linha 2 – Verde), um sujeito “entra”, fica segurando a porta ostensivamente com uma mão e com a outra gesticula chamando outras pessoas: “Vem! Corre, dá tempo!”. Os passageiros (eu, inclusive) que estavam no vagão lançaram olhares desaprovadores para o sujeito, que não deu bola para a velada censura. No exato instante em que as portas se fecharam, o condutor do trem bradou no som: “Não segure as portas! Você atrapalha a vida dos outros!”. Só nesse momento, o cidadão ficou constrangido, decerto, não sabia ele que nos novos trens, existem câmeras em todos os carros da composição. O funcionário do metrô, na minha opinião, merecia aplausos.

A verdade é dura amigos, mas precisa ser dita. Se o serviço não é perfeito, o usuário do sistema também não colabora muito. Não concorda? Ok, então você gosta dos caras que são verdadeiras rádios ambulantes dentro de vagões e veículos em qualquer região da cidade? Também não. Tudo bem, o ser humano é complicado mesmo. Funciona mais ou menos assim: é feio e chato, quando é o outro, ou melhor, se sou favorecido os demais que se danem.

Seria ótimo então se quando o cara segurasse a porta, a voz do Paulo César Pereio soasse no sistema de som: “Solta a porta e segura na minha vara porra!”, e também, “Desliga essa merda de som, porra!”, ou ainda, “Tira o rabo do assento azul, é privativo do idoso, porra!”. Talvez com essa linguagem, coloquial, digamos assim, os caras tomem um pouquinho de semancol.

Lanço desde já a campanha “Pereio subway sound service”!

Para quem não sabe, sempre que um trem do metrô parte atrasado, gera-se um efeito dominó que reflete em todas as linhas afetando a vida de no mínimo quatro milhões de pessoas. E geralmente, tais atrasos, ocorrem por causa de pessoas que não sabem esperar mais dois minutos (o tempo exato para que outra composição chegue à plataforma).

Multidão. Cena comum na estação Sé

É claro que o transporte coletivo de São Paulo está saturado, e como o de outras capitais e grandes cidades do Brasil, precisa melhorar muito. SPTrans, CPTM e Metrô, poderiam ter uma melhor integração e tarifa única, não é senhores Kassab e Alckmin? Afinal, como diria o outro, nunca antes na história deste país, sobrou tanto dinheiro para realizar o essencial, faltam vontade política e competência, então? Copa e Olimpíadas não servem como desculpas para obras de infraestrutura, pois mesmo sem os dois eventos, o povo precisa de qualidade de vida, o que inclui transporte digno.

Há falhas no sistema também. Algumas semanas atrás, a badalada e moderna Linha 4 – Amarela, a primeira administrada pela iniciativa privada, teve uma pane que deixou boa parte da população desacreditada no serviço. Naqueles dias, as estações Luz e República tinham sido enfim inseridas à nova linha, permitindo a integração com as Linhas 1 – Azul e 3 – Vermelha. A tal pane, gerou um transtorno óbvio que durou no mínimo quatro horas e prejudicou milhões de pessoas, significando também prejuízo para muitas empresas.

Plataforma de embarque em estação da Linha 4 - Amarela

E se você já usou a nova linha, reparou que faltam funcionários nas estações? Não se assuste, a ideia é essa mesmo, automatizar o sistema. Tanto que naquela via, não existem condutores, as máquinas andam “sozinhas”. A parceria público-privada não deveria gerar mais empregos? Gostaria então de lembrar aos gênios do governo Serra (afinal isso é herança dele) o artigo 7º da Constituição: “São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:” – Inciso XXVII, do mesmo artigo: “Proteção em face da automação, na forma da lei;”.

Falando em prejuízo, quero fazer aqui um adendo. A Linha Laranja, que está em fase de projeto, foi alvo recente de protestos por parte dos moradores de Higienópolis, contrários à construção de uma estação nas imediações de suas residências, alegando que o metrô traria pobres, ambulantes, etc. Perguntar não ofende: Queridos abastados, vocês não querem que os pobres cheguem aos seus trabalhos? Então por gentileza, permitam que tenham um deslocamento digno, ou podem vocês mesmos encarregaram-se das tarefas executadas por aqueles que encaram todos os dias, duas horas ou mais dentro de ônibus lotados para ganhar o pão. Quantos churrasquinhos ainda serão necessários para que mude a mentalidade dessa gente tacanha? O imposto pago pelo “nobre” vale tanto quanto o desembolsado pelo assalariado.

Claro que existem pontos positivos e iniciativas bacanas, como exposições (Estação Paraíso), apresentações musicais (Estação Tamanduateí), bibliotecas gratuitas (Estações Paraíso e Tatuapé). Já é possível transportar sua bicicleta nos finais de semana, foram instalados assentos especiais para obesos, e o deficiente visual pode embarcar com seu cão-guia. Em geral, a população tem orgulho do Metrô e até se diverte com algumas curiosidades, como por exemplo, por que razão a Estação Paulista (Linha 4 – Amarela) fica situada na Rua da Consolação e a Estação Consolação (Linha 2 – Verde) fica na Av. Paulista?

Mas, a CPTM precisa urgentemente melhorar muitas estações para oferecer o mínimo de conforto ao usuário, a SPTrans precisa agilizar a renovação da frota de ônibus, verdade, que já é bom sinal a aquisição de veículos movidos a Biodiesel.

Enfim, caro leitor, faça a sua parte. Use o transporte coletivo, cobre e faça valer os seus direitos, mas sem deixar de ser civilizado e respeitar o próximo. Todos ganham.

E se quiser opine, deixe seu comentário. Até breve.