O fim do R.E.M. e a ocupação de Wall Street.

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2011 provavelmente será lembrado como o ano das ocupações. Praças de diversas partes do mundo foram tomadas. Tivemos a chamada primavera árabe, trazendo sonhos de libertação e democracia. E tivemos a mais famosa das manifestações espontâneas impulsionadas pelas redes sociais. Occupy Wall Street influenciou milhares de pessoas em muitos países a botarem o pé na rua em marchas por avenidas e praças em defesa de causas diversas. Sem líderes, sem mártires, sem partidos, corporações… Simplesmente a massa humana, o coletivo. Mais do que um movimento, um desabafo mundial.

Depois de ler o título do post, você deve estar se perguntando: o que o fim do R.E.M. tem a ver com isso? Acontece que, 2011 pra muita gente também será lembrado como ano do fim da banda. Michael Stipe e Cia., sempre foram uma banda politizada. Sem ser messiânica, atenta aos problemas do mundo. Descobri a banda um pouco tarde, ou seja, quando “Document” chegou ao mundo, a banda já tinha quatro discos lançados. Mas, desde então era perceptível para mim o viés engajado do grupo em canções como “Finest Worksong”.

Não sei o motivo, mas durante toda essa semana uma música do R.E.M. não me saiu da cabeça, só depois é que fui associá-la às ocupações em Nova York, Londres, Atenas, Cairo, Lisboa, etc. Talvez pela ironia da letra e pelos vocais melancólicos, pela melodia, que não chega a ser um “hino” para multidões, mas com uma carga dramática que faz tanto sentido hoje quanto fazia em 1988. “World Leader Pretend” nem é o hit de “Green”, até por que é difícil se destacar num disco que tem “Stand”, “Orange Crush”, “Turn You Inside-Out”, “Pop Song 89” e “Get Up”.

Veja o vídeo de “World Leader Pretend” ao vivo na turnê de “Green”

 

 

Uma voz para a multidão.

 

Michael Stipe e seu megafone durante a turnê de "Green" em 1988

 

Green”, o primeiro disco do então quarteto de Athens pela Warner, trouxe para muitos adolescentes (como eu em 88) a novidade em forma de música inteligente, e mostrou que sim, era possível ser uma banda independente e obter sucesso, e até mesmo mudar para uma grande gravadora e continuar fiel aos seus princípios e à sua música.

Talvez você até tenha outra canção do R.E.M. como preferida, e talvez ela até esteja em “Green”, porém, é indiscutível a beleza da faixa, e como ela ainda soa atual. A banda pode ter acabado, mas como falei a alguns amigos quando Amy Winehouse morreu (outro fato que marcará 2011): felizmente a música é eterna.

Provavelmente, de agora em diante seja mais comum ver os rapazes envolvidos de forma mais aberta com algumas causas, como já demonstra o baixista Mike Mills, em declarações de apoio a adivinhe… Occupy Wall Street. (veja aqui – em inglês)

2011 também será lembrado pelo triste aniversário de dez anos do atentado de 11 de setembro, assim como ontem mais uma vez foi sentida a ausência de George Harrison.

Termino então, sintetizando a liberdade de expressão, o povo nas ruas, sonhos de justiça e harmonia em busca de mudanças inspirado pelo título de outra música do R.E.M.: “Welcome To The Occupation”.

E se você quiser, deixe aqui seu recado dizendo qual a sua música favorita do R.E.M. e por que ela marca a sua vida. Comente, Compartilhe. Participe.

Um grande abraço e até breve.

Se o público boicotasse o Lollapalooza?

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Não ia falar de música hoje, porém, não dá pra ficar indiferente a essa história envolvendo Lobão e a organização do Festival Lollapalooza.

Primeiro vou falar da atitude de Lobão. Acho legal alguém comprar a briga do respeito aos nossos artistas e à música brasileira e sugerir o boicote das bandas ao evento, ainda mais depois da hilária entrevista do Perry Farrell à Folha de S. Paulo (confira aqui).

Pode-se chamar Lobão de maluco ou qualquer outra coisa, o que ninguém pode negar é que o cara defende suas ideias, dá a cara pra bater, e não se preocupa em agradar ou não a quem quer que seja. Ponto pra ele. Admiro quem tem coragem de fazer isso. E não se esqueçam de que a criatura lupina já comprou brigas históricas a favor da independência artística própria e alheia, como a numeração de CDs, por exemplo.

Veja o vídeo publicado pelo músico:

O problema é que esse tipo de boicote não funciona, a classe (músicos) é desunida por natureza. Duvida? O debate organizado pela Revista Bizz, publicado na edição de fevereiro de 1988, ao qual inclusive, Lobão e outros (Cazuza, Roger e Marcelo Nova, por exemplo) não compareceram, comprova (texto na íntegra aqui). Também não daria certo o boicote, porque sempre vai ter alguém disposto a aceitar de bom grado os trinta dinheiros ou os 15 minutos de fama.

Honestamente, quem vai a esse tipo de evento, tá louco mesmo é pra ver as atrações gringas, muito por conta da escassez de shows por aqui, que diminuiu muito é verdade, e também por que o músico brasileiro está ao alcance dos olhos e dos bolsos bem mais facilmente e com freqüência indiscutivelmente maior.

A polêmica de regalias aos estrangeiros e problemas com os brasileiros não é de hoje. Pepeu Gomes sofreu no Rock In Rio I (1985), o Ira! também no Hollywood Rock de 1988, se não me falha a memória. É sempre a mesma merda envolvendo qualidade do som, luz, brigas com seguranças e produtores, etc. Quem tiver outra edição da Bizz (de Janeiro de 2000, acho) que fala sobre os 15 anos do primeiro Rock In Rio, também pode conhecer algumas histórias interessantes de bastidores, como os chiliques de Freddy Mercury.

Capa da edição de fevereiro de 1988 da revista Bizz

Talvez fique mais claro hoje, porque a Legião Urbana por exemplo, nunca tocou em Festival, e olha que reza a lenda, que chegaram a oferecer uma noite só para a banda em uma edição do Hollywood Rock. Renato Russo com certeza sabia muito bem como funcionavam as coisas no showbusiness.

Quem tinha que fazer boicote mesmo é o público, ainda mais depois da palhaçada da venda de ingressos para os pré-cadastrados. Já tem cambista vendendo entradas por R$ 900,00.

Não ir e dar um baita prejuízo aos organizadores e patrocinadores seria a única maneira de fazer com que houvesse respeito, organização, e o mínimo de conforto (que faltou no SWU, por exemplo) para quem paga a brincadeira e enche os bolsos de gente como Perry Farrell, que vem correndo pra cá ganhar uns trocados depois que a economia dos Estados Unidos e da Europa está indo pro brejo, e ainda por cima revelar sua ignorância e demonstrar arrogância, como se estivesse fazendo o favor de trazer a civilização para os aborígenes da América Latina (ops, né Perry Farrell?).

Vá fazer festival na China (de economia até melhor que a nossa). Quem sabe a cultura musical deles seja compatível com a sua. Faça um disco que as pessoas amem, venda bastante, e talvez o Jane’s Addiction consiga abrir o show da Ednéia Macedo (veja o video) no próximo Rock In Rio.

Participe, comente, compartilhe.

Um grande abraço e até a próxima semana.

A desinibida da Consolação

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Olá amigos. Resolvi quebrar a regra que eu mesmo criei – publicar apenas um post semanal (sempre às quartas-feiras) – como agradecimento aos mais de 2.500 (!) pageviews do blog em pouco mais de um mês de sua existência.

Por esta razão então segue este texto dominical, diferente de tudo que já escrevi aqui. Peço licença ao mestre Xico Sá para falar das agruras do bicho homem com os assuntos do coração. Vou falar mais precisamente do patológico ciúme fraternal.

Durante essa semana, ri um pouco e acompanhei a dor de um conhecido com as andanças amorosas de sua irmãzinha. O cidadão andava indignado e da Pompéia à Consolação era uma lamentação sem fim. Sentia a dor do traído e desiludido. O ciúme (assim como o chifre) corrói e derrota o mais bruto dos machos, por que afinal, os brutos também amam.

Mugia o personagem irmão-boi, quando descobriu que sua doce e amada irmã mais nova, andava passeando com alguns rapazes, e até alguns amigos seus (bando de traíras, dizia) e sentia a úlcera do ciúme doer só de imaginar o que a pequena poderia estar aprontando nas baladas da Barra Funda, Augusta ou Santa Cecília.

Dominique Swain, em cena do filme "Lolita" (1997) de Adrian Lyne.

Pensei com os botões imaginários… A grande questão camarada, é que a educação machista alimenta no indivíduo a fantasia de que suas mães e irmãs não são mulheres como as outras. No imaginário do elemento, elas são santas, eternamente puras, virgens e imaculadas.

Esquece o amigo, que pra ele estar no mundo sofrendo e amando, um belo dia seu papai (ou o leiteiro, o carteiro, etc., bem, melhor não entrar nessa seara, pra não deixar o sujeito mais bravo) chegou junto na sua santa mãezinha!

O que sua querida irmãzinha provavelmente anda fazendo com os meninos, é o mesmo que você vive fantasiando e tramando fazer com as irmãzinhas alheias. Mas pimenta no dos outros…

Seja ela uma Lolita digna de Nabokov ou não, mais cedo ou mais tarde, como toda mulher (que goste de homens ou de mulheres, ou até dos dois), a pequena sentiria a vontade de ser amada como fêmea, e com certeza despertaria nos marmanjos o desejo de conhecer o novo pitéu do pedaço. Nada mais humano. Qual então a razão para negar a ela o prazer? Relegar a menina a ser um vegetal, e passar vida sem saber o que é uma noitada (como diria Marcelo Rubens Paiva em seu livro “As Fêmeas“)? Acorde você, camarada! Viva, seja feliz e deixe que a menina também seja e apaixone-se, chore, sofra, deleite-se, sinta todas as emoções que a independência sexual proporciona. Deixe-a ser mulher.

Não esqueça que para aquele cunhado mala, que bebe a sua cerveja gelada na tarde de domingo paulistana, e ainda por cima, torcendo para o time adversário, que se hoje o dito cujo pode divertir-se com os sobrinhos, esticado na poltrona da sua casa, foi graças à sua “petulância” e cara de pau de chegar pra irmã dele e dizer: Yes, We Créu!

Um grande abraço e até quarta-feira!

Um alienígena chato.

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Olá amigos. Alguns perguntaram, e vou responder aqui. Não vou falar sobre a USP. Tudo que eu gostaria de dizer sobre os fatos da semana passada, já foi dito pelo André Barcinski e pelo André Forastieri . Assino embaixo de tudo que os dois escreveram.

Então, como prometido hoje vou falar de música. Imaginava que assim teria uma trégua para falar de assuntos mais amenos. Enganei-me duas vezes. Primeiro porque o disco sobre o qual vou falar está gerando muita polêmica, e segundo, porque não é um disco alegre.

A capa do álbum, lançado em 27 de setembro

Estou falando, claro, de “Lulu” álbum em parceria entre Lou Reed e Metallica, que está dando o que falar e principalmente o que reclamar. A ira dos fãs do Metallica (alguns bobos que até ameaçaram matar Lou Reed) talvez esteja no fato de seus heróis estarem fazendo música com um “velho”, pouco afeito ao bate cabeça característico do público de metal que ainda tem 20 anos, ou acha que tem. A verdade, é que a banda é feita de homens maduros e quarentões, ou seja, Lulu é um disco sério, adulto, feito por homens adultos e para adultos, e não para reais ou pretensos adolescentes dispostos a extravasar energia.

Trata-se de uma coleção de canções para uma peça chamada “Lulu”, uma produção teatral de várias histórias originalmente escrita pelo dramaturgo alemão Frank Wedekind.

Após ouvir pacientemente o disco várias vezes, cheguei à conclusão de que “Lulu” vale apenas pelas faixas “The View”, “Pumping Blood” e “Mistress Dread“, além claro, da bela capa. Acredito que Lou Reed teria acertado na mosca e teria uma banda mais sintonizada com sua música se tivesse escolhido o Sonic Youth ou o Jesus and Mary Chain para co-assinar o projeto. Se queria causar polêmica e inovar, melhor seria chamar Lady Gaga, que de quebra, ainda poderia interpretar a personagem título. Se, desejava contar a história, seria o caso então de fazer um filme, com direção de Tim Burton, por exemplo, para casar com a aura sombria das canções, e o próprio Lou faria a trilha sonora, sozinho mesmo.

Lou Reed e Metallica em foto de divulgação de "Lulu"

Lou Reed é um dos ícones do rock dos anos 60. Em 1964, fundou o Velvet Underground, grupo de Nova York que, com seu cinismo e som cru, destoava do espírito paz e amor da geração hippie. Saiu em carreira solo em 1970 e lançou discos clássicos como “Transformer” e “Berlin“. Em novembro do ano passado o cantor passou pelo Brasil com a turnê de 35 anos de seu disco “Metal Machine Music“.

Enfim, quem caiu de pára-quedas nessa história foi o Metallica. Como todo respeito à banda (que merece), o quarteto é previsível e burocrático, para dizer o mínimo. Apenas uma banda de apoio.

As faixas são longas, uma delas chega a durar quase vinte minutos, nada que os fãs do Metallica não estejam acostumados, principalmente desde “…And Justice For All…”, porém, guardam semelhança maior com o trabalho de Lou, apesar de que na discografia do músico de Nova York, o álbum  será um perfeito alienígena.

Resumindo. Não gostei. Pode ser que um dia mude de opinião, mas isso raramente acontece. Posso às vezes demorar a me acostumar com um disco. Mas em outros casos (e “Lulu” se encaixa nessa categoria), a primeira impressão é a que fica mesmo. E na minha opinião o disco é ruim, mais pelo Metallica do que por Lou Reed. Ouça você e tire suas conclusões. Um grande abraço e até a a próxima semana.

Auschwitz é aqui.

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Olá amigos, infelizmente terei que descumprir a promessa do último post, e voltarei a falar de música na próxima semana, mas vocês não perdem por esperar, pois na próxima quarta-feira falarei de Lulu, o disco gravado por Lou Reed e Metallica, que vem causando bastante controvérsia e só esta semana chegou às minhas mãos, então primeiro ouvirei com calma…

Aproveito também para anunciar que a partir de agora, os posts serão mais curtos, em parte por sugestão de vocês que me acompanham aqui, e um pouco também pela agitada rotina deste blogueiro.

O tema de hoje pra variar é espinhoso. Acredito que todo mundo já ouviu falar ao menos uma vez na famosa cracolandia, localizada na região central de São Paulo, no chamado centro velho, nas imediações das estações República, Luz e Anhangabaú do metrô, pra ser mais específico.

Vejo a região como uma espécie de campo de concentração a céu aberto. Ali vidas são degradadas por uma das mais devastadoras drogas que o homem já inventou. Exagero meu? Vejamos.

Cidadãos ”prisioneiros” de um vício, transformados em um exército de “noias” confinados em um território imundo, constantemente vigiados e reprimidos pela polícia e muitas vezes tratados como leprosos pelo restante da população que divide-se entre achar que trata-se de um caso de saúde pública ou simplesmente de polícia, e para os hipócritas de plantão que os encaram como uma afronta às famílias e pessoas de bem. Afronta uma ova! Queria ver se fosse um parente ou amigo desses moralistas e conservadores de meia tigela.

Sou a favor e luto não só pela descriminalização como pela legalização de drogas. E por favor, não me venham com conversa de enriquecer o crime organizado. As indústrias de cigarro e bebidas alcoólicas enriquecem industriais gangsteres que fazem parte de um certo ETA (Exploradores do Trabalho Alheio). As duas drogas em questão (bebida e cigarro), são pesadamente taxadas pelo Estado, tiveram sua publicidade quase banida dos meios de comunicação, e mesmo assim são fartamente consumidas por menores de idade de todas as classes sociais, alguns inclusive incentivados pelos pais, pois segundo a convenção, são drogas socialmente toleráveis. Detalhe: eu bebo e já fumei.

Crack mata? O que o álcool faz de vítimas em acidentes de trânsito causados por irresponsáveis bêbados armados com seus veículos e o tabaco mata de câncer também não está no gibi. Qual a razão então da satanização apenas de Maconha, Cocaína. Crack e companhia? O alcoólatra não é diferente do viciado em crack.

Tem muita família que interdita um parente alcoólatra, dando o mesmo como incapaz para gerir a própria vida. Está mais do que na hora da sociedade as instituições públicas tomarem medidas sérias e humanas, que incluam justiça e saúde. Fica a sugestão: que interditem-se então estes humanos transformados em zumbis indigentes, para que possam ser tratados, e não somente considerados parte do lixo ao qual misturam-se nas esquinas nas noites frias.

E que os sujeitos que ficam em Brasília disputando cargos, indicações e recebendo propinas, dediquem um pouco de seu tempo para agir sem hipocrisia, para que o tema deixe de ser apenas um discurso inconsistente em tribunas e no horário eleitoral gratuito. Vai ter custo monetário? Ok, que seja, usando o dinheiro público com a saúde da coletividade. Nada mais justo.

Mas a quem será que interessa o eterno descaso, a política e de repressão aos usuários e a criminalização das drogas? Indústria de bebidas e cigarros (concorrência)? Políticos defensores da “moral”? Polícia corrupta que se beneficia com o tráfico? Pense, e tire suas conclusões.

Para quem não viu, seguem duas reportagens muito boas. Uma do programa Profissão Repórter da Rede Globo,  a outra do programa A Liga da Rede Bandeirantes.

Se você não é de São Paulo, da próxima vez que vier à terra da garoa, dê uma passadinha na nossa Disneylandia do Crack, e verá um novo Auschwitz. Participe, comente, compartilhe.

Um grande abraço e até a próxima semana.

 

Quem é o cantor?

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Olá amigos. Hoje chegamos ao nosso quarto post, praticamente um mês de Blog. A todos que visitam, divulgam e compartilham nas redes sociais. Muito obrigado.

Vamos ao que interessa. Hoje vou falar de alguns fenômenos eleitorais. Prometo que na próxima semana volto a falar de música.

Nos últimos anos, a cada eleição aumenta o número de famosos ou aspirantes aos seus 15 minutos de fama surgem como candidatos a cargos eletivos. É claro que não é só aqui do lado debaixo do Equador que acontecem coisas esquisitas, mas é certo que o Brasil é pródigo nesse quesito. Tanto é que parece que seremos eternamente considerados “exóticos” aos olhos do velho mundo.

O fato é que por conta de alguns fenômenos de popularidade, estamos nos acostumando a ver e ouvir algumas figuras que nunca havíamos imaginado antes, serem tratadas por Vossa Excelência. Exemplos: Frank Aguiar, Clodovil, Aguinaldo Timóteo e claro, Tiririca, melhor dizendo, o Deputado Federal Francisco Everardo Oliveira Silva, que agora inclusive vai integrar a Comissão de Educação e Cultura na Câmara do Deputados. Os assessores do humorista e Deputado estão pesquisando e recebendo sugestões sobre as demandas do setor cultural. A ideia é preparar projetos que fortaleçam a área.

Somos um povo culturalmente diverso, mas algumas vezes bisonho. Gosto é como… Você sabe. Cada um com o seu. Não vou aqui cair na armadilha de julgar esse ou aquele gênero da música ou qualquer outra arte. Afinal, é arte. Política então nem se fala…

O dito voto de protesto das massas acaba gerando a eleição de algumas figuras que levam pelo menos uma “vantagem” sobre os políticos profissionais. Uma enorme sinceridade, como a de Tiririca, ao dizer que não sabe o que faz um Deputado, em entrevista que concedeu ao jornal Folha de São Paulo, ou mais recentemente no programa CQC, ao ser questionado se a política dá um bom dinheiro, afirmou: “Olha, dinheiro mesmo eu ganho com show, mas se não desse, meu filho Tirulipa não seria candidato”.

Tiririca durante a campanha elitoral de 2010

Tiririca e a tietagem dos colegas na Câmara dos Deputados


É claro que você não vai escolher o seu representante em Brasília somente pela sinceridade. Existem inúmeros outros atributos e questões a serem analisados friamente e por mais que você dê de ombros para a política, quero apenas lembrá-lo que estamos falando do seu dinheiro. É o seu imposto que paga o salário dos parlamentares, que nada mais são do que servidores públicos, ou seja, têm como função primordial atender às necessidades da população.

Confesso que me surpreendi com a maturidade e franqueza de algumas respostas do Deputado Tiririca quando o mesmo afirma que “o parlamentar, é um sujeito que trabalha muito e pouco produz”, confirma o óbvio ululante, que como sempre está na cara de todos, mas muitos insistem em não vê-lo.

Honestamente, prefiro algumas gratas surpresas na atuação de alguns famosos, porém politicamente inexperientes como Romário, Jean Wyllys e Tiririca a gente da laia de Maluf, Sarney, José Agripino Maia e Álvaro Dias, mas este último é problema do Paraná, pois pra quem não sabe, Senadores representam os Estados. Os Deputados é que representam o povo.

Não sei se tu me ama. Pra que tu me seduz?

Tiririca é o retrato da população carente que cresceu ao longo de décadas sendo massacrada por políticas públicas (ou ausência delas, melhor dizendo) que passaram bem longe de priorizar cultura e educação, saneamento básico então, é de envergonhar qualquer ser humano, em um país que está prestes a se tornar a sexta economia mundial.

Tivemos o “emburrecimento” programado da ditadura militar, afinal, não podemos esquecer que o ditador João Baptista Figueiredo certa vez disse que preferia o cheiro de cavalos ao cheiro do povo. Pensando bem, melhor nem perder tempo com essa figura, já que o mesmo pediu para ser esquecido. A galopante inflação durante os anos 80 e 90 também foi desculpa para a falta de investimentos no Social, sem falar do eterno rombo da previdência.

Romário discursa na tribuna da Câmara.


Romário por sua vez, também tem origem humilde, também teve uma carreira de sucesso e tem apresentado combatividade, interesse e conhecimento das causas que abraça. Sua atuação questionando a gestão, o cronograma e outros assuntos ligados à Copa 2014 e as Olimpíadas 2016 dão uma mostra de alguém que pode até não conseguir seus objetivos, mas luta sem medo de desagradar a quem quer seja.

Jean Wyllys surgiu como ex-BBB  para destacar-se ao defender o que para alguns são apenas as causas das ditas minorias excluídas, quando na verdade defende os direitos e garantias fundamentais de todo e qualquer cidadão, independente da cor ou opção sexual, mas disso já falei semana passada. Em resumo, é alguém que contribui de verdade para a discussão de temas que interessam e influem diretamente na vida da população.

Os três citados, não perdem tempo com intermináveis futricas e jogos políticos de oligarquias que se eternizam no poder, ou em demagógicas CPI’s para os que buscam os holofotes. Até por que, fama eles já tem.

O ex-BBB Jean Wyllys defende causas polêmicas em Brasília

É claro que há os que destoam e decepcionam. O cantor e Vereador Aguinaldo Timóteo (sim, ele é vereador aqui em São Paulo), em 2009, teve a brilhante idéia de mudar o nome do Parque do Ibirapuera, um dos cartões postais mais conhecidos de São Paulo, para Parque Michael Jackson. É rir pra não chorar. Ainda bem que não deixaram.

O poder da televisão.

Campanha eleitoral é um negócio sério e complicado e que segundo alguns colegas Publicitários, é nessa hora que a TV mostra todo seu poder como mídia de massa. Em 2012, deveremos eleger prefeitos e vereadores, e com certeza seremos apresentados a candidatos como os que você vê nos vídeos a seguir. Muito cuidado com os famosos, mas também com os políticos profissionais que vivem da sede de poder e da continuidade da miséria alheia. Veja, reflita e não deixe de participar. Comente, indique, compartilhe.

Até a próxima semana.

 

 

A vida dos outros como ela é

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O Dramaturgo Nelson Rodrigues (parafraseado no título deste post) tem uma frase muito boa que é mais ou menos assim: “Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém”.

O tema que vou tratar hoje é polêmico, eu sei, e ninguém precisa concordar com as minhas opiniões. Não vou aqui levantar nenhuma bandeira, movimento, etc. Vou apenas expor a maneira como vejo uma situação. De cara, já vou avisando: sou heterossexual, e me orgulho muito dos amigos e amigas homossexuais e heterossexuais que possuo. São seres humanos maravilhosos. Amo a todos sem distinção.

Costumo definir a questão da Homofobia da seguinte maneira: As pessoas incomodam-se demais com a vida alheia, e esquecem de ser felizes vivendo suas próprias vidas.

Estou cada vez mais convicto de que no mundo atual não há espaço para intolerância de qualquer tipo. Apesar de eu mesmo ser intolerante algumas vezes, pois não suporto gente mal educada e ignorante. Mas luto todos os dias para aceitar e compreender a realidade de cada um.

Imagem de uma das capas da Revista Trip de Outubro


Não dá pra fugir da discussão sobre a homofobia, está em todos os lugares. Nas capas da corajosa edição da Trip deste mês (isso mesmo são duas capas), está na TV (a famosa cena do beijo entre Luciana Vendramini e Giselle Tigre, na novela do SBT), nos jornais (infelizmente com mais freqüência nas páginas policiais), no Congresso Nacional, nas ruas, na boca de todo mundo. A discussão já é longa e ganha cada vez mais força. Não tenho utopia de que todas as mentes do planeta mudem, seria bobagem e inocência minha alimentar tal quimera.

Diversidade sexual. Mais do que um tema, título, rótulo, como você queira chamar, o importante é entender que trata-se da discussão da definição do que somos. Nunca gostei de rótulos e divisões, bem e mau, brancos e negros, católicos e protestantes, gordos e magros, feios e bonitos. Somos todos humanos, e ainda bem que cada um de nós é único. As diferenças existem e continuarão existindo. Há um certo narcisismo psicológico inconsciente exemplificado pelo medo do diferente.

O que importa mesmo nessa história é a real capacidade de cada um concentrar-se no seu universo, pensar naquilo que importa para si e para a realização de sua felicidade. A vida do outro e principalmente quando, como, onde e com quem faz sexo, amor, transa, trepa, furunfa, amassa o bombril, acasala, molha o biscoito, troca o óleo, cola o velcro, dá marcha a ré, etc., é um detalhe que não interessa. Não muda em nada a competência do seu chefe, do colega de trabalho, da professora do seu filho, do guarda da esquina, do médico que cuida das suas enfermidades. Ponto. Cada um tem o direito de ser e fazer o que quiser. O corpo é dele (ou dela). Cada um deve viver sua própria vida, reitero.

As relações humanas são imperfeitas, o ser humano é imperfeito. E como disse Jack Endino: “Não tente ficar perfeito. A perfeição é chata”.

Não faça com os outros, o que você não quer que seja feito com você.

A imbecilidade, aliada à pura e simples falta do que fazer gera trogloditas que ignoram o significado de Antropologia e Sociologia, e o fato de que ambas são pura e simplesmente construídas na prática cotidiana, assim como o idioma, que mais do que escrito, é falado, com suas imperfeições coloquiais, dialetos, gírias e corruptelas, a sociedade, da mesma forma, é constituída por indivíduos distintos, com gostos, hábitos, desejos, ambições e formas de amar as mais diversas.

Lembro o caso dos playboys que espancaram uma doméstica em um ponto de ônibus do Rio de Janeiro. A “justificativa” dos criminosos: “Pensávamos que fosse uma puta.” E se fosse uma puta! Que diferença teria? Seria um ser humano da mesma forma. Com direito a viver da forma como escolher. Vou repetir, o grande problema é que as pessoas vivem querendo controlar a vida do outro. O falso moralismo é uma merda.

O Bolsonaro, Crivella e congêneres têm todo o direito de pensar o que quiserem e de assumirem publicamente suas posições, o que eles não têm é direito de incitar a violência e fazer apologia da discriminação e depois ficar se escondendo atrás de imunidades parlamentares e garantias constitucionais que os mesmos violam.

A hipocrisia, a intolerância e o “politicamente correto” Made In Brazil jamais permitiriam que alguém ousasse sair às ruas com uma camiseta escrita “100% branco”, “100% ladrão”, “100% demagogo”, “100% preconceituoso”, “100% puta”, “100% gay”. A questão é maior do que cada um afirmar-se e ter orgulho de si. É entender que o outro é diferente e tem o direito de sê-lo. Ponto.

Passei boa parte da minha infância com quatro primas (de quem muito me orgulho), pobres, negras, de paternidade não assumida, em uma sociedade moralista e preconceituosa, meus olhos vêm as diferenças e o preconceito desde cedo. A humanidade é imbecil e ignorante, tal e qual registrada em Beleza Americana (American Beauty – 1999 – Direção de Sam Mendes).

Máquinas não fazem distinção entre branco, negro, azul, amarelo, romano, grego, troiano, hétero, homo, cristão, umbandista, budista, ou hindu. A urna eletrônica computa da mesma forma os votos de quem elege o candidato de esquerda, centro ou direita, independente de com quem o eleitor vai pra cama, e o que faz nela.

Campanha criada por Oliviero Toscani para a Benetton nos anos 90

Onipotência, onipresença e onisciência versus Liberté, égalité, fraternité.

Não existe nada mais chato do que alguém tentando catequizar os outros, qualquer que seja a causa ou credo defendido. O pensamento é livre, cada um tem o seu, e felizmente não precisamos pagar pra pensar.

O mundo cristão-judaico, com seus dogmas, centralização do poder, autoproclamado como dono da verdade, contribuiu muito para o cenário atual. Não vejo muita diferença entre o modo de pensar de Hitler, do Papa e Pastores Evangélicos. Há alguns anos, em uma conversa com um cidadão protestante falei: Ainda bem que sua ignorância não é contagiosa.

Afinal, seria coerente uma nova inquisição para lançar na fogueira os padres envolvidos em Pedofilia? Em resumo, o Cristianismo não tem moral para falar de amor ao semelhante depois de perseguir e matar milhões na Idade Média, como o fizeram os Nazistas na Segunda Guerra.

Algumas obras para quem quer refletir, abrir a mente, e quem sabe evoluir:

Livros:

A Filosofia na Alcova – Marquês de Sade

Videoclipes:

MadonnaLike A Prayer,Justify My Love e Erotica

MobyWe Are All Made Of Stars

Pearl Jam – “Do The Evolution

Fimes:

Gummo (Vidas Sem Destino – 1997 – Direção de Harmony Korine)

Beleza Americana (American Beauty – 1999 – Direção de Sam Mendes)

O Nome da Rosa (Der Name der Rose – 1986 – Direção de Jean-Jacques Annaud)

A Cor Púrpura (The Color Purple – 1985 – Direção de Steven Spielberg)

Tudo o que defendo é respeito ao próximo. Independente do credo, da cor, e principalmente da orientação sexual. Liberdade. Viva e deixe viver.

Para encerrar, deixo vocês com uma música da Laura Finocchiaro, gravada pelo Cazuza no disco Burguesia que resume meu pensamento.

Não deixe de comentar, compartilhar, participar. Um grande abraço e até a próxima semana.

Tudo é Amor

(Cazuza / Laura Finocchiaro)

Um homem pode se afobar
E pegar o caminho errado
Homem que é homem volta atrás
Mas não se arrepende de nada
Sabe que a vida é pra lutar
Contra um dragão invisível
Que mata os sonhos mais banais
Que acha que é tudo impossível

Um homem que veio do pó
É o que transforma o pó em ouro
Um homem foi criado só
Mas vive em função do outro
Na natureza onde ele é rei
No universo onde não é nada
Na incerteza e no prazer
Na ilusão de ser amado

Tudo é amor
Mesmo se for por carma
Tudo é amor
Pretensão descarada

Um homem nasce pra cagar
Nas regras desse paraíso
Um homem deve procurar
A fruta que foi proibida
No meio dessa multidão
Na escuridão e na agonia
Poder chamar alguém de irmão
E ter um sono bem tranqüilo

Tudo é amor
Mesmo se for por carma
Tudo é amor
Pretensão descarada

Um homem nasce pra brincar
E não pra esculhambar a vida
Um homem nasce pra curar
E cutucar a ferida
Mesmo se for pra transformar
Num inferno um céu conformista
Mesmo se for pra guerrear
Escolha as armas mais bonitas

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