Um alienígena chato.

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Olá amigos. Alguns perguntaram, e vou responder aqui. Não vou falar sobre a USP. Tudo que eu gostaria de dizer sobre os fatos da semana passada, já foi dito pelo André Barcinski e pelo André Forastieri . Assino embaixo de tudo que os dois escreveram.

Então, como prometido hoje vou falar de música. Imaginava que assim teria uma trégua para falar de assuntos mais amenos. Enganei-me duas vezes. Primeiro porque o disco sobre o qual vou falar está gerando muita polêmica, e segundo, porque não é um disco alegre.

A capa do álbum, lançado em 27 de setembro

Estou falando, claro, de “Lulu” álbum em parceria entre Lou Reed e Metallica, que está dando o que falar e principalmente o que reclamar. A ira dos fãs do Metallica (alguns bobos que até ameaçaram matar Lou Reed) talvez esteja no fato de seus heróis estarem fazendo música com um “velho”, pouco afeito ao bate cabeça característico do público de metal que ainda tem 20 anos, ou acha que tem. A verdade, é que a banda é feita de homens maduros e quarentões, ou seja, Lulu é um disco sério, adulto, feito por homens adultos e para adultos, e não para reais ou pretensos adolescentes dispostos a extravasar energia.

Trata-se de uma coleção de canções para uma peça chamada “Lulu”, uma produção teatral de várias histórias originalmente escrita pelo dramaturgo alemão Frank Wedekind.

Após ouvir pacientemente o disco várias vezes, cheguei à conclusão de que “Lulu” vale apenas pelas faixas “The View”, “Pumping Blood” e “Mistress Dread“, além claro, da bela capa. Acredito que Lou Reed teria acertado na mosca e teria uma banda mais sintonizada com sua música se tivesse escolhido o Sonic Youth ou o Jesus and Mary Chain para co-assinar o projeto. Se queria causar polêmica e inovar, melhor seria chamar Lady Gaga, que de quebra, ainda poderia interpretar a personagem título. Se, desejava contar a história, seria o caso então de fazer um filme, com direção de Tim Burton, por exemplo, para casar com a aura sombria das canções, e o próprio Lou faria a trilha sonora, sozinho mesmo.

Lou Reed e Metallica em foto de divulgação de "Lulu"

Lou Reed é um dos ícones do rock dos anos 60. Em 1964, fundou o Velvet Underground, grupo de Nova York que, com seu cinismo e som cru, destoava do espírito paz e amor da geração hippie. Saiu em carreira solo em 1970 e lançou discos clássicos como “Transformer” e “Berlin“. Em novembro do ano passado o cantor passou pelo Brasil com a turnê de 35 anos de seu disco “Metal Machine Music“.

Enfim, quem caiu de pára-quedas nessa história foi o Metallica. Como todo respeito à banda (que merece), o quarteto é previsível e burocrático, para dizer o mínimo. Apenas uma banda de apoio.

As faixas são longas, uma delas chega a durar quase vinte minutos, nada que os fãs do Metallica não estejam acostumados, principalmente desde “…And Justice For All…”, porém, guardam semelhança maior com o trabalho de Lou, apesar de que na discografia do músico de Nova York, o álbum  será um perfeito alienígena.

Resumindo. Não gostei. Pode ser que um dia mude de opinião, mas isso raramente acontece. Posso às vezes demorar a me acostumar com um disco. Mas em outros casos (e “Lulu” se encaixa nessa categoria), a primeira impressão é a que fica mesmo. E na minha opinião o disco é ruim, mais pelo Metallica do que por Lou Reed. Ouça você e tire suas conclusões. Um grande abraço e até a a próxima semana.

Auschwitz é aqui.

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Olá amigos, infelizmente terei que descumprir a promessa do último post, e voltarei a falar de música na próxima semana, mas vocês não perdem por esperar, pois na próxima quarta-feira falarei de Lulu, o disco gravado por Lou Reed e Metallica, que vem causando bastante controvérsia e só esta semana chegou às minhas mãos, então primeiro ouvirei com calma…

Aproveito também para anunciar que a partir de agora, os posts serão mais curtos, em parte por sugestão de vocês que me acompanham aqui, e um pouco também pela agitada rotina deste blogueiro.

O tema de hoje pra variar é espinhoso. Acredito que todo mundo já ouviu falar ao menos uma vez na famosa cracolandia, localizada na região central de São Paulo, no chamado centro velho, nas imediações das estações República, Luz e Anhangabaú do metrô, pra ser mais específico.

Vejo a região como uma espécie de campo de concentração a céu aberto. Ali vidas são degradadas por uma das mais devastadoras drogas que o homem já inventou. Exagero meu? Vejamos.

Cidadãos ”prisioneiros” de um vício, transformados em um exército de “noias” confinados em um território imundo, constantemente vigiados e reprimidos pela polícia e muitas vezes tratados como leprosos pelo restante da população que divide-se entre achar que trata-se de um caso de saúde pública ou simplesmente de polícia, e para os hipócritas de plantão que os encaram como uma afronta às famílias e pessoas de bem. Afronta uma ova! Queria ver se fosse um parente ou amigo desses moralistas e conservadores de meia tigela.

Sou a favor e luto não só pela descriminalização como pela legalização de drogas. E por favor, não me venham com conversa de enriquecer o crime organizado. As indústrias de cigarro e bebidas alcoólicas enriquecem industriais gangsteres que fazem parte de um certo ETA (Exploradores do Trabalho Alheio). As duas drogas em questão (bebida e cigarro), são pesadamente taxadas pelo Estado, tiveram sua publicidade quase banida dos meios de comunicação, e mesmo assim são fartamente consumidas por menores de idade de todas as classes sociais, alguns inclusive incentivados pelos pais, pois segundo a convenção, são drogas socialmente toleráveis. Detalhe: eu bebo e já fumei.

Crack mata? O que o álcool faz de vítimas em acidentes de trânsito causados por irresponsáveis bêbados armados com seus veículos e o tabaco mata de câncer também não está no gibi. Qual a razão então da satanização apenas de Maconha, Cocaína. Crack e companhia? O alcoólatra não é diferente do viciado em crack.

Tem muita família que interdita um parente alcoólatra, dando o mesmo como incapaz para gerir a própria vida. Está mais do que na hora da sociedade as instituições públicas tomarem medidas sérias e humanas, que incluam justiça e saúde. Fica a sugestão: que interditem-se então estes humanos transformados em zumbis indigentes, para que possam ser tratados, e não somente considerados parte do lixo ao qual misturam-se nas esquinas nas noites frias.

E que os sujeitos que ficam em Brasília disputando cargos, indicações e recebendo propinas, dediquem um pouco de seu tempo para agir sem hipocrisia, para que o tema deixe de ser apenas um discurso inconsistente em tribunas e no horário eleitoral gratuito. Vai ter custo monetário? Ok, que seja, usando o dinheiro público com a saúde da coletividade. Nada mais justo.

Mas a quem será que interessa o eterno descaso, a política e de repressão aos usuários e a criminalização das drogas? Indústria de bebidas e cigarros (concorrência)? Políticos defensores da “moral”? Polícia corrupta que se beneficia com o tráfico? Pense, e tire suas conclusões.

Para quem não viu, seguem duas reportagens muito boas. Uma do programa Profissão Repórter da Rede Globo,  a outra do programa A Liga da Rede Bandeirantes.

Se você não é de São Paulo, da próxima vez que vier à terra da garoa, dê uma passadinha na nossa Disneylandia do Crack, e verá um novo Auschwitz. Participe, comente, compartilhe.

Um grande abraço e até a próxima semana.

 

Quem é o cantor?

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Olá amigos. Hoje chegamos ao nosso quarto post, praticamente um mês de Blog. A todos que visitam, divulgam e compartilham nas redes sociais. Muito obrigado.

Vamos ao que interessa. Hoje vou falar de alguns fenômenos eleitorais. Prometo que na próxima semana volto a falar de música.

Nos últimos anos, a cada eleição aumenta o número de famosos ou aspirantes aos seus 15 minutos de fama surgem como candidatos a cargos eletivos. É claro que não é só aqui do lado debaixo do Equador que acontecem coisas esquisitas, mas é certo que o Brasil é pródigo nesse quesito. Tanto é que parece que seremos eternamente considerados “exóticos” aos olhos do velho mundo.

O fato é que por conta de alguns fenômenos de popularidade, estamos nos acostumando a ver e ouvir algumas figuras que nunca havíamos imaginado antes, serem tratadas por Vossa Excelência. Exemplos: Frank Aguiar, Clodovil, Aguinaldo Timóteo e claro, Tiririca, melhor dizendo, o Deputado Federal Francisco Everardo Oliveira Silva, que agora inclusive vai integrar a Comissão de Educação e Cultura na Câmara do Deputados. Os assessores do humorista e Deputado estão pesquisando e recebendo sugestões sobre as demandas do setor cultural. A ideia é preparar projetos que fortaleçam a área.

Somos um povo culturalmente diverso, mas algumas vezes bisonho. Gosto é como… Você sabe. Cada um com o seu. Não vou aqui cair na armadilha de julgar esse ou aquele gênero da música ou qualquer outra arte. Afinal, é arte. Política então nem se fala…

O dito voto de protesto das massas acaba gerando a eleição de algumas figuras que levam pelo menos uma “vantagem” sobre os políticos profissionais. Uma enorme sinceridade, como a de Tiririca, ao dizer que não sabe o que faz um Deputado, em entrevista que concedeu ao jornal Folha de São Paulo, ou mais recentemente no programa CQC, ao ser questionado se a política dá um bom dinheiro, afirmou: “Olha, dinheiro mesmo eu ganho com show, mas se não desse, meu filho Tirulipa não seria candidato”.

Tiririca durante a campanha elitoral de 2010

Tiririca e a tietagem dos colegas na Câmara dos Deputados


É claro que você não vai escolher o seu representante em Brasília somente pela sinceridade. Existem inúmeros outros atributos e questões a serem analisados friamente e por mais que você dê de ombros para a política, quero apenas lembrá-lo que estamos falando do seu dinheiro. É o seu imposto que paga o salário dos parlamentares, que nada mais são do que servidores públicos, ou seja, têm como função primordial atender às necessidades da população.

Confesso que me surpreendi com a maturidade e franqueza de algumas respostas do Deputado Tiririca quando o mesmo afirma que “o parlamentar, é um sujeito que trabalha muito e pouco produz”, confirma o óbvio ululante, que como sempre está na cara de todos, mas muitos insistem em não vê-lo.

Honestamente, prefiro algumas gratas surpresas na atuação de alguns famosos, porém politicamente inexperientes como Romário, Jean Wyllys e Tiririca a gente da laia de Maluf, Sarney, José Agripino Maia e Álvaro Dias, mas este último é problema do Paraná, pois pra quem não sabe, Senadores representam os Estados. Os Deputados é que representam o povo.

Não sei se tu me ama. Pra que tu me seduz?

Tiririca é o retrato da população carente que cresceu ao longo de décadas sendo massacrada por políticas públicas (ou ausência delas, melhor dizendo) que passaram bem longe de priorizar cultura e educação, saneamento básico então, é de envergonhar qualquer ser humano, em um país que está prestes a se tornar a sexta economia mundial.

Tivemos o “emburrecimento” programado da ditadura militar, afinal, não podemos esquecer que o ditador João Baptista Figueiredo certa vez disse que preferia o cheiro de cavalos ao cheiro do povo. Pensando bem, melhor nem perder tempo com essa figura, já que o mesmo pediu para ser esquecido. A galopante inflação durante os anos 80 e 90 também foi desculpa para a falta de investimentos no Social, sem falar do eterno rombo da previdência.

Romário discursa na tribuna da Câmara.


Romário por sua vez, também tem origem humilde, também teve uma carreira de sucesso e tem apresentado combatividade, interesse e conhecimento das causas que abraça. Sua atuação questionando a gestão, o cronograma e outros assuntos ligados à Copa 2014 e as Olimpíadas 2016 dão uma mostra de alguém que pode até não conseguir seus objetivos, mas luta sem medo de desagradar a quem quer seja.

Jean Wyllys surgiu como ex-BBB  para destacar-se ao defender o que para alguns são apenas as causas das ditas minorias excluídas, quando na verdade defende os direitos e garantias fundamentais de todo e qualquer cidadão, independente da cor ou opção sexual, mas disso já falei semana passada. Em resumo, é alguém que contribui de verdade para a discussão de temas que interessam e influem diretamente na vida da população.

Os três citados, não perdem tempo com intermináveis futricas e jogos políticos de oligarquias que se eternizam no poder, ou em demagógicas CPI’s para os que buscam os holofotes. Até por que, fama eles já tem.

O ex-BBB Jean Wyllys defende causas polêmicas em Brasília

É claro que há os que destoam e decepcionam. O cantor e Vereador Aguinaldo Timóteo (sim, ele é vereador aqui em São Paulo), em 2009, teve a brilhante idéia de mudar o nome do Parque do Ibirapuera, um dos cartões postais mais conhecidos de São Paulo, para Parque Michael Jackson. É rir pra não chorar. Ainda bem que não deixaram.

O poder da televisão.

Campanha eleitoral é um negócio sério e complicado e que segundo alguns colegas Publicitários, é nessa hora que a TV mostra todo seu poder como mídia de massa. Em 2012, deveremos eleger prefeitos e vereadores, e com certeza seremos apresentados a candidatos como os que você vê nos vídeos a seguir. Muito cuidado com os famosos, mas também com os políticos profissionais que vivem da sede de poder e da continuidade da miséria alheia. Veja, reflita e não deixe de participar. Comente, indique, compartilhe.

Até a próxima semana.

 

 

A vida dos outros como ela é

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O Dramaturgo Nelson Rodrigues (parafraseado no título deste post) tem uma frase muito boa que é mais ou menos assim: “Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém”.

O tema que vou tratar hoje é polêmico, eu sei, e ninguém precisa concordar com as minhas opiniões. Não vou aqui levantar nenhuma bandeira, movimento, etc. Vou apenas expor a maneira como vejo uma situação. De cara, já vou avisando: sou heterossexual, e me orgulho muito dos amigos e amigas homossexuais e heterossexuais que possuo. São seres humanos maravilhosos. Amo a todos sem distinção.

Costumo definir a questão da Homofobia da seguinte maneira: As pessoas incomodam-se demais com a vida alheia, e esquecem de ser felizes vivendo suas próprias vidas.

Estou cada vez mais convicto de que no mundo atual não há espaço para intolerância de qualquer tipo. Apesar de eu mesmo ser intolerante algumas vezes, pois não suporto gente mal educada e ignorante. Mas luto todos os dias para aceitar e compreender a realidade de cada um.

Imagem de uma das capas da Revista Trip de Outubro


Não dá pra fugir da discussão sobre a homofobia, está em todos os lugares. Nas capas da corajosa edição da Trip deste mês (isso mesmo são duas capas), está na TV (a famosa cena do beijo entre Luciana Vendramini e Giselle Tigre, na novela do SBT), nos jornais (infelizmente com mais freqüência nas páginas policiais), no Congresso Nacional, nas ruas, na boca de todo mundo. A discussão já é longa e ganha cada vez mais força. Não tenho utopia de que todas as mentes do planeta mudem, seria bobagem e inocência minha alimentar tal quimera.

Diversidade sexual. Mais do que um tema, título, rótulo, como você queira chamar, o importante é entender que trata-se da discussão da definição do que somos. Nunca gostei de rótulos e divisões, bem e mau, brancos e negros, católicos e protestantes, gordos e magros, feios e bonitos. Somos todos humanos, e ainda bem que cada um de nós é único. As diferenças existem e continuarão existindo. Há um certo narcisismo psicológico inconsciente exemplificado pelo medo do diferente.

O que importa mesmo nessa história é a real capacidade de cada um concentrar-se no seu universo, pensar naquilo que importa para si e para a realização de sua felicidade. A vida do outro e principalmente quando, como, onde e com quem faz sexo, amor, transa, trepa, furunfa, amassa o bombril, acasala, molha o biscoito, troca o óleo, cola o velcro, dá marcha a ré, etc., é um detalhe que não interessa. Não muda em nada a competência do seu chefe, do colega de trabalho, da professora do seu filho, do guarda da esquina, do médico que cuida das suas enfermidades. Ponto. Cada um tem o direito de ser e fazer o que quiser. O corpo é dele (ou dela). Cada um deve viver sua própria vida, reitero.

As relações humanas são imperfeitas, o ser humano é imperfeito. E como disse Jack Endino: “Não tente ficar perfeito. A perfeição é chata”.

Não faça com os outros, o que você não quer que seja feito com você.

A imbecilidade, aliada à pura e simples falta do que fazer gera trogloditas que ignoram o significado de Antropologia e Sociologia, e o fato de que ambas são pura e simplesmente construídas na prática cotidiana, assim como o idioma, que mais do que escrito, é falado, com suas imperfeições coloquiais, dialetos, gírias e corruptelas, a sociedade, da mesma forma, é constituída por indivíduos distintos, com gostos, hábitos, desejos, ambições e formas de amar as mais diversas.

Lembro o caso dos playboys que espancaram uma doméstica em um ponto de ônibus do Rio de Janeiro. A “justificativa” dos criminosos: “Pensávamos que fosse uma puta.” E se fosse uma puta! Que diferença teria? Seria um ser humano da mesma forma. Com direito a viver da forma como escolher. Vou repetir, o grande problema é que as pessoas vivem querendo controlar a vida do outro. O falso moralismo é uma merda.

O Bolsonaro, Crivella e congêneres têm todo o direito de pensar o que quiserem e de assumirem publicamente suas posições, o que eles não têm é direito de incitar a violência e fazer apologia da discriminação e depois ficar se escondendo atrás de imunidades parlamentares e garantias constitucionais que os mesmos violam.

A hipocrisia, a intolerância e o “politicamente correto” Made In Brazil jamais permitiriam que alguém ousasse sair às ruas com uma camiseta escrita “100% branco”, “100% ladrão”, “100% demagogo”, “100% preconceituoso”, “100% puta”, “100% gay”. A questão é maior do que cada um afirmar-se e ter orgulho de si. É entender que o outro é diferente e tem o direito de sê-lo. Ponto.

Passei boa parte da minha infância com quatro primas (de quem muito me orgulho), pobres, negras, de paternidade não assumida, em uma sociedade moralista e preconceituosa, meus olhos vêm as diferenças e o preconceito desde cedo. A humanidade é imbecil e ignorante, tal e qual registrada em Beleza Americana (American Beauty – 1999 – Direção de Sam Mendes).

Máquinas não fazem distinção entre branco, negro, azul, amarelo, romano, grego, troiano, hétero, homo, cristão, umbandista, budista, ou hindu. A urna eletrônica computa da mesma forma os votos de quem elege o candidato de esquerda, centro ou direita, independente de com quem o eleitor vai pra cama, e o que faz nela.

Campanha criada por Oliviero Toscani para a Benetton nos anos 90

Onipotência, onipresença e onisciência versus Liberté, égalité, fraternité.

Não existe nada mais chato do que alguém tentando catequizar os outros, qualquer que seja a causa ou credo defendido. O pensamento é livre, cada um tem o seu, e felizmente não precisamos pagar pra pensar.

O mundo cristão-judaico, com seus dogmas, centralização do poder, autoproclamado como dono da verdade, contribuiu muito para o cenário atual. Não vejo muita diferença entre o modo de pensar de Hitler, do Papa e Pastores Evangélicos. Há alguns anos, em uma conversa com um cidadão protestante falei: Ainda bem que sua ignorância não é contagiosa.

Afinal, seria coerente uma nova inquisição para lançar na fogueira os padres envolvidos em Pedofilia? Em resumo, o Cristianismo não tem moral para falar de amor ao semelhante depois de perseguir e matar milhões na Idade Média, como o fizeram os Nazistas na Segunda Guerra.

Algumas obras para quem quer refletir, abrir a mente, e quem sabe evoluir:

Livros:

A Filosofia na Alcova – Marquês de Sade

Videoclipes:

MadonnaLike A Prayer,Justify My Love e Erotica

MobyWe Are All Made Of Stars

Pearl Jam – “Do The Evolution

Fimes:

Gummo (Vidas Sem Destino – 1997 – Direção de Harmony Korine)

Beleza Americana (American Beauty – 1999 – Direção de Sam Mendes)

O Nome da Rosa (Der Name der Rose – 1986 – Direção de Jean-Jacques Annaud)

A Cor Púrpura (The Color Purple – 1985 – Direção de Steven Spielberg)

Tudo o que defendo é respeito ao próximo. Independente do credo, da cor, e principalmente da orientação sexual. Liberdade. Viva e deixe viver.

Para encerrar, deixo vocês com uma música da Laura Finocchiaro, gravada pelo Cazuza no disco Burguesia que resume meu pensamento.

Não deixe de comentar, compartilhar, participar. Um grande abraço e até a próxima semana.

Tudo é Amor

(Cazuza / Laura Finocchiaro)

Um homem pode se afobar
E pegar o caminho errado
Homem que é homem volta atrás
Mas não se arrepende de nada
Sabe que a vida é pra lutar
Contra um dragão invisível
Que mata os sonhos mais banais
Que acha que é tudo impossível

Um homem que veio do pó
É o que transforma o pó em ouro
Um homem foi criado só
Mas vive em função do outro
Na natureza onde ele é rei
No universo onde não é nada
Na incerteza e no prazer
Na ilusão de ser amado

Tudo é amor
Mesmo se for por carma
Tudo é amor
Pretensão descarada

Um homem nasce pra cagar
Nas regras desse paraíso
Um homem deve procurar
A fruta que foi proibida
No meio dessa multidão
Na escuridão e na agonia
Poder chamar alguém de irmão
E ter um sono bem tranqüilo

Tudo é amor
Mesmo se for por carma
Tudo é amor
Pretensão descarada

Um homem nasce pra brincar
E não pra esculhambar a vida
Um homem nasce pra curar
E cutucar a ferida
Mesmo se for pra transformar
Num inferno um céu conformista
Mesmo se for pra guerrear
Escolha as armas mais bonitas

Pereio subway sound service

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Olá, pessoas. Quero primeiro agradecer a todos que visitaram, divulgaram  e comentaram na semana passada, e também aos que colaboraram para que este blog passasse a existir. Nada disso seria possível sem a imensa força de todos os meus amigos, especialmente Leo e Cabeçudo. Muito obrigado.

Hoje vou falar de transporte coletivo e mais especificamente do Metrô de São Paulo. O que você tem a ver com isso? Caso more aqui na paulicéia, tudo. Se não mora, deve saber que existem projetos desse tipo de transporte para várias cidades do Brasil sendo anunciados como a salvação de todos os problemas da humanidade. Em vez de solução pode ser apenas um paliativo, caso não seja bem planejado, implantado e racionalmente utilizado. Isso quando as obras são concluídas…

O paulistano encara todos os dias multidões, em todos os lugares, para onde quer que você vá, encontrará muita gente. É difícil estar só. Complicado também é estar acompanhado, mas de maneira confortável. Conforto, isso é o que mais falta ao cidadão principalmente na hora de ir para o trabalho ou voltar do mesmo.

Cena comum de superlotação nas estações

Sempre defendi com unhas e dentes o uso do transporte público. Quer um motivo? Nossa frota de carros já é maior que a população do Rio de Janeiro. Basta pra você? Como nossa população também não é pequena. Temos muito a melhorar em quantidade e qualidade, no que é oferecido atualmente. O nosso querido metrô possui 74,3 km de extensão, contra 226 km de Madrid, 418 km de Nova York e Londres com 400 km, para não falar de Xangai com a maior malha do mundo, com seus 420 km de extensão. Para entender melhor do que estou falando veja as imagens:

Mapa do Transporte Metropolitano de São Paulo (inclui CPTM e EMTU)

Mapa do Metrô de Londres

Agora, vou contar uma historinha.

Dia desses estava eu a bordo de um dos trens e na estação Brigadeiro (Linha 2 – Verde), um sujeito “entra”, fica segurando a porta ostensivamente com uma mão e com a outra gesticula chamando outras pessoas: “Vem! Corre, dá tempo!”. Os passageiros (eu, inclusive) que estavam no vagão lançaram olhares desaprovadores para o sujeito, que não deu bola para a velada censura. No exato instante em que as portas se fecharam, o condutor do trem bradou no som: “Não segure as portas! Você atrapalha a vida dos outros!”. Só nesse momento, o cidadão ficou constrangido, decerto, não sabia ele que nos novos trens, existem câmeras em todos os carros da composição. O funcionário do metrô, na minha opinião, merecia aplausos.

A verdade é dura amigos, mas precisa ser dita. Se o serviço não é perfeito, o usuário do sistema também não colabora muito. Não concorda? Ok, então você gosta dos caras que são verdadeiras rádios ambulantes dentro de vagões e veículos em qualquer região da cidade? Também não. Tudo bem, o ser humano é complicado mesmo. Funciona mais ou menos assim: é feio e chato, quando é o outro, ou melhor, se sou favorecido os demais que se danem.

Seria ótimo então se quando o cara segurasse a porta, a voz do Paulo César Pereio soasse no sistema de som: “Solta a porta e segura na minha vara porra!”, e também, “Desliga essa merda de som, porra!”, ou ainda, “Tira o rabo do assento azul, é privativo do idoso, porra!”. Talvez com essa linguagem, coloquial, digamos assim, os caras tomem um pouquinho de semancol.

Lanço desde já a campanha “Pereio subway sound service”!

Para quem não sabe, sempre que um trem do metrô parte atrasado, gera-se um efeito dominó que reflete em todas as linhas afetando a vida de no mínimo quatro milhões de pessoas. E geralmente, tais atrasos, ocorrem por causa de pessoas que não sabem esperar mais dois minutos (o tempo exato para que outra composição chegue à plataforma).

Multidão. Cena comum na estação Sé

É claro que o transporte coletivo de São Paulo está saturado, e como o de outras capitais e grandes cidades do Brasil, precisa melhorar muito. SPTrans, CPTM e Metrô, poderiam ter uma melhor integração e tarifa única, não é senhores Kassab e Alckmin? Afinal, como diria o outro, nunca antes na história deste país, sobrou tanto dinheiro para realizar o essencial, faltam vontade política e competência, então? Copa e Olimpíadas não servem como desculpas para obras de infraestrutura, pois mesmo sem os dois eventos, o povo precisa de qualidade de vida, o que inclui transporte digno.

Há falhas no sistema também. Algumas semanas atrás, a badalada e moderna Linha 4 – Amarela, a primeira administrada pela iniciativa privada, teve uma pane que deixou boa parte da população desacreditada no serviço. Naqueles dias, as estações Luz e República tinham sido enfim inseridas à nova linha, permitindo a integração com as Linhas 1 – Azul e 3 – Vermelha. A tal pane, gerou um transtorno óbvio que durou no mínimo quatro horas e prejudicou milhões de pessoas, significando também prejuízo para muitas empresas.

Plataforma de embarque em estação da Linha 4 - Amarela

E se você já usou a nova linha, reparou que faltam funcionários nas estações? Não se assuste, a ideia é essa mesmo, automatizar o sistema. Tanto que naquela via, não existem condutores, as máquinas andam “sozinhas”. A parceria público-privada não deveria gerar mais empregos? Gostaria então de lembrar aos gênios do governo Serra (afinal isso é herança dele) o artigo 7º da Constituição: “São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:” – Inciso XXVII, do mesmo artigo: “Proteção em face da automação, na forma da lei;”.

Falando em prejuízo, quero fazer aqui um adendo. A Linha Laranja, que está em fase de projeto, foi alvo recente de protestos por parte dos moradores de Higienópolis, contrários à construção de uma estação nas imediações de suas residências, alegando que o metrô traria pobres, ambulantes, etc. Perguntar não ofende: Queridos abastados, vocês não querem que os pobres cheguem aos seus trabalhos? Então por gentileza, permitam que tenham um deslocamento digno, ou podem vocês mesmos encarregaram-se das tarefas executadas por aqueles que encaram todos os dias, duas horas ou mais dentro de ônibus lotados para ganhar o pão. Quantos churrasquinhos ainda serão necessários para que mude a mentalidade dessa gente tacanha? O imposto pago pelo “nobre” vale tanto quanto o desembolsado pelo assalariado.

Claro que existem pontos positivos e iniciativas bacanas, como exposições (Estação Paraíso), apresentações musicais (Estação Tamanduateí), bibliotecas gratuitas (Estações Paraíso e Tatuapé). Já é possível transportar sua bicicleta nos finais de semana, foram instalados assentos especiais para obesos, e o deficiente visual pode embarcar com seu cão-guia. Em geral, a população tem orgulho do Metrô e até se diverte com algumas curiosidades, como por exemplo, por que razão a Estação Paulista (Linha 4 – Amarela) fica situada na Rua da Consolação e a Estação Consolação (Linha 2 – Verde) fica na Av. Paulista?

Mas, a CPTM precisa urgentemente melhorar muitas estações para oferecer o mínimo de conforto ao usuário, a SPTrans precisa agilizar a renovação da frota de ônibus, verdade, que já é bom sinal a aquisição de veículos movidos a Biodiesel.

Enfim, caro leitor, faça a sua parte. Use o transporte coletivo, cobre e faça valer os seus direitos, mas sem deixar de ser civilizado e respeitar o próximo. Todos ganham.

E se quiser opine, deixe seu comentário. Até breve.

“Teen spirit” aos 20 anos

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Decidi começar o blog com um assunto muito comentado durante o último mês, o aniversário de 20 anos de lançamento de “Nevermind”, segundo álbum do Nirvana, porque o tal disco me lembra histórias da minha vida, e esse blog também será utilizado de forma autobiográfica, o que terá como conseqüência a publicação ocasional de algumas memórias.

Também pesou na minha decisão tratar deste assunto justo na estréia, para deixar claro que geralmente as artes (Música, Literatura, Cinema, Teatro, etc.) terão um espaço mais abrangente do que outros temas, mas nada impede que um dia você encontre aqui um post sobre Política, por exemplo. Também quero deixar claro que o Nirvana, não é minha banda favorita. Quem me conhece, bem sabe que esse posto é ocupado pelo Cure.

Vamos a “Nevermind” então.

Durante o mês de setembro, muitos amigos me perguntaram qual a minha música favorita do dito cujo? A resposta é: Lounge Act.

Para justificar, começo explicando que “Smells Like Teen Spirit” não vale. É uma das melhores músicas de todos os tempos. Ok . Você deve pensar que hoje é fácil falar, depois de inúmeras audições ao longo dessas duas décadas.

Lounge Act , na minha humilde opinião, contém as grandes marcas da sonoridade do Nirvana e de Kurt Cobain como compositor: uma melodia que você pode assobiar (tente tocar essa música no seu violão para fazer uma graça com as meninas no próximo luau ou camping e veja o resultado), embalada por guitarras pesadas, um baixo em perfeita sintonia rítmica com a bateria matadora, cortesia da atuação magistral de David Grohl e também de Butch Vig como produtor, afinal, a gravação e mixagem da bateria em “Nevermind” é um trabalho impecável (como também são os realizados pelas duplas Lars Ulrich / Bob Rock no “Black Album” do Metallica, Igor Cavalera / Andy Wallace em “Chaos A.D.” do Sepultura e João Barone / Liminha em “Selvagem?” dos Paralamas do Sucesso, só para citar e fazer justiça a outros grandes trabalhos de bateristas e produtores).

Claro que a famosa produção de “Nevermind” não desmerece o som direto e cru de “Bleach” (produção de Jack Endino) e muito menos o desleixo estudado de “In Utero” (produzido por Steve Albini), uma vez que ambos captam a anarquia e espontaneidade da banda.

Mas não tem como escapar dos truques do produtor, como os famosos e um tanto polêmicos vocais dobrados, sugestão de Vig, sabedor do fascínio de Cobain por John Lennon (já ouviu “In Bloom” direitinho?), ou a massa sonora de guitarras pulando de um canal para o outro (“Breed”), além de outros barulhos esquisitos na introdução de algumas faixas (ouvir música com fones serve pra prestar atenção na produção do disco e não para deixar você surdo, ok?).

Porém, o que quero compartilhar com você, leitor, é a influência que a música, ou para ser mais específico, uma banda, pode ter na vida de alguém. Vamos direto ao ponto.

A geração que cresceu e/ou amadureceu ouvindo “Nevermind”, hoje, começa a encabeçar corporações e governos mundo afora, e o mercado começa a valorizar profissionais que gostam de rock (principalmente em áreas que envolvem criatividade). Nasci com uma alma punk (sim, o Nirvana era um banda punk, queiram/gostem alguns ou não), e acredito que muito do modo como encaro a vida é reflexo desse espírito anárquico e contestador.

Para confirmar esse meu espírito, Nevermind pintou na minha vida em um momento que anunciava turbulências pessoais. Era então 1992 (aqui no Brasil, eu como muitos, descobri o disco um ano depois de lançado) e um belo dia, cheguei em minha casa após uma viagem que não lembro exatamente para onde (acho que para a casa de uma tia), ligo o rádio e ouço nada menos que “Smells Like Teen Spirit”. Alguns dias depois o rádio já tocava “Come As You Are”, e o mundo estava dominado. Aquilo foi como um soco nos meus ouvidos, fiquei maravilhado e curioso.

São momentos assim que fazem com que moleques de 15, 18 anos de idade, deixem o cabelo crescer e resolvam montar uma banda, leiam livros, vejam filmes, enfim, possam imergir em cultura, abrir a mente. Agora me diga, qual o artista que consegue provocar esse tipo de reação hoje? E creia, “Nevermind” não é o último prego no caixão do rock como imaginam alguns. Grandes discos foram e continuarão a surgir (está mais raro é verdade), “OK Computer” do Radiohead é a grande prova da capacidade de reinvenção do estilo.

Para finalizar, conto duas historinhas que ilustram a presença do Nirvana na minha vida:

Desde 1994, eu freqüentava assiduamente a Galeria do Rock (não a galeria do Largo do Paissandu, pois eu não morava em São Paulo, nessa época eu era mais um dos habitantes da ensolarada Fortaleza, e aos sábados, era figura fácil na Galeria Pedro Jorge, no centro da cidade. Ia sempre para a Opus Discos, loja do meu querido amigo Tony Cochrane.

O “MTV Unplugged In New York”, também conhecido como “Acústico do Nirvana” tinha acabado de sair do forno. Primeiro disco póstumo da banda. Sentei no chão da loja, acendi um cigarro (eu ainda fumava), o som começou a rolar e eis que senta ao meu lado um sujeito que me pede um cigarro, e emenda com uma pergunta: Também gosta de Nirvana? Para minha surpresa, a figura com quem estava conversando e que logo se tornaria um grande amigo (até hoje!), era o Marquinhos, meu parceiro de grandes aventuras no Domínio Público (um lugar com muitas histórias que merece um post, quem sabe?). Nem preciso dizer que fizemos amizade na mesma hora. Talvez a gente até já se conhecesse antes. As farras da década de 90 fizeram alguns estragos na minha memória.

Alguns meses antes do episódio acima, conheci uma pessoa de quem ouvia muito falar, o vocalista e guitarrista do Dago Red, banda mais que Cult do indie rock cearense nos anos 90. O cidadão trabalhava na outra loja do Tony, a Opus Aldeota. Fui lá um dia para fazer manutenção no computador da loja. Um cara baixinho e magro, me recebeu com uma piada que envolvia os salgados vendidos numa padaria próxima, e eu vestindo minha antológica camiseta do “In Utero”, que ainda resiste bravamente ao tempo. Início de uma amizade infinita, com o Robério, um cara que considero um irmão. Culpa do Nirvana, que fez com que enfim eu encontrasse a minha turma. Parceiros de muitas loucuras.

Agradeço e celebro meus amigos esperando que outros discos façam pelos garotos de hoje o que um dia “Nevermind” fez por mim. Até breve.

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